Bolsas

Câmbio

Era Trump promete nervosismo em dias de reunião do Fed

Matthew Boesler

(Bloomberg) -- Integrantes do banco central americano estavam sendo muito claros com o mercado financeiro sobre suas intenções até dezembro, quando um aumento de juros já sinalizado desencadeou um grande movimento de venda no mercado de renda fixa.

O Federal Reserve faz outra reunião nesta semana e a pergunta é se foi um incidente isolado ou o início de um ciclo mais turbulento.

O rendimento dos contratos futuros em eurodólar, usados como referência para os juros de curto prazo dentro de dois anos, subiu 18 pontos-base nas seis horas seguintes ao anúncio, em 14 de dezembro, de que o banco central dos EUA elevaria a taxa básica de juros em 25 pontos-base.

Embora o acréscimo tivesse sido comunicado antecipadamente pelo Fed, as projeções divulgadas junto com o anúncio mostraram que a estimativa mediana apresentada pelos 17 integrantes do comitê que define os juros (FOMC) sinalizava três elevações em 2017. Na divulgação anterior, em setembro, eram dois acréscimos.

Outro evento importante ocorreu nas semanas que antecederam o encontro do Fed em dezembro: Donald Trump foi eleito presidente, em cima de promessas de reduzir impostos, flexibilizar regulamentos e dobrar a velocidade do crescimento econômico para até 4 por cento. Isso pode marcar um ponto de virada para a economia americana e, por extensão, para a comunicação do Fed, segundo Michael Gapen, economista-chefe para os EUA do Barclays, em Nova York.

"Estamos em uma potencial inflexão, talvez por quatro a seis trimestres haverá aceleração do crescimento", disse Gapen. "É razoável pensar que pode haver mais volatilidade na ponta curta da curva à medida que digerimos não só o que indicam os dados, mas o que indica a política fiscal e como a política monetária pode reagir."

A onda de vendas do mês passado causou o terceiro maior aumento nos rendimentos após um anúncio do FOMC desde 2012, quando o comitê passou a conceder entrevistas coletivas à imprensa e a divulgar projeções para os juros em reuniões intercaladas. O maior movimento de venda ocorreu em meio ao alerta sobre o início da retirada gradual de estímulos, conhecido como "taper tantrum", em junho de 2013. O segundo maior movimento foi durante a primeira entrevista coletiva de Janet Yellen como presidente do Fed, em março de 2014.

A presidente do Fed responde a perguntas de jornalistas após reuniões intercaladas. Ultimamente, os investidores estão atribuindo maior probabilidade de mudanças após essas reuniões.

Antes do encontro do mês passado, as oscilações do mercado devido a anúncios do FOMC estavam ficando mais contidas, implicando que os integrantes do Fed estavam comunicando melhor suas intenções ao público. Nas oito reuniões anteriores à de dezembro, o movimento médio nos rendimentos em qualquer direção foi de apenas cinco pontos-base, o menor desde antes do "taper tantrum".

Não se espera que a reunião de dois dias em Washington, na terça-feira e quarta-feira, resulte em alteração dos juros ou da perspectiva. Porém, a confusão pode aumentar com o cenário de aceleração dos acréscimos na taxa básica pelo banco central. Isso vem intensificando a expectativa dos investidores em relação a mudanças na política monetária em reuniões não seguidas de entrevistas coletivas.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos