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Oriente Médio volta a apostar em mercado imobiliário londrino

Jack Sidders

(Bloomberg) -- O Brexit colocou um freio nos investimentos em imóveis comerciais no Reino Unido para a maioria de compradores de outros países. Mas, para investidores do Oriente Médio, a subsequente queda da libra esterlina e a recuperação das commodities pesam mais do que o risco de desvalorização dos preços dos imóveis.

Investidores da região responderam por 24 por cento de todas as aquisições de compradores do exterior no quarto trimestre, em comparação com a parcela de 10 por cento no mesmo período do ano anterior, segundo dados compilados pela gestora de fundos Fidelity International. Compradores de todas as outras regiões reduziram os investimentos, de acordo com a pesquisa.

"Temos visto um aumento realmente significativo no apetite por Londres de nossos clientes do Oriente Médio", disse em uma entrevista Stephen Clifton, chefe para o centro de Londres da corretora Knight Frank. "Existem duas razões principais para isso: moeda e estabilidade."

Os valores de escritórios no centro financeiro de Londres mostraram a maior queda em sete anos depois do referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, e os fundos imobiliários foram obrigados a congelar os resgates porque os investidores, com receio de uma maior desvalorização dos preços, correram para sacar seus recursos. Mas os preços se estabilizaram, já que a queda da libra esterlina proporcionou um desconto cambial de 15 por cento para compradores de países como o Qatar e Emirados Árabes Unidos.

"A libra foi totalmente golpeada", disse Matthew Richardson, chefe de pesquisa para o setor imobiliário da Fidelity International. Com o preço do petróleo em alta de 62 por cento na comparação anual, investidores do Oriente Médio que dependem de petrodólares têm sido novamente atraídos para o Reino Unido, afirmou.

Compradores da região haviam comprado ou construído alguns dos marcos mais conhecidos da cidade antes da cotação do petróleo cair para o menor nível em uma década no ano passado. Os investimentos do Qatar incluem participações no centro financeiro Canary Wharf, no arranha-céu Shard, bem como na loja de departamentos Harrods. A St Martins, controlada pelo Kuwait, comprou o More London, um conjunto de propriedades ao lado da Tower Bridge, por cerca de 1,7 bilhão de libras esterlinas em 2013, enquanto a Abu Dhabi Investment Corp. está construindo apartamentos na Grosvenor Square, no bairro Mayfair.

Com a desvalorização do petróleo e a alta recorde dos preços imobiliários em Londres em 2015, investimentos da região mostraram desaceleração por seis trimestre consecutivos, segundo dados da Fidelity. Agora esses investimentos estão de volta, com uma alta de 83 por cento no quarto trimestre em relação ao ano anterior, para 1,6 bilhão de libras esterlinas, segundo a gestora.

Embora o colapso da libra também tenha beneficiado compradores da Ásia-Pacífico, um maior controle do governo chinês para evitar saída de capital ajudou os investidores do Oriente Médio a recuperarem participação de mercado, disse Richardson, da Fidelity. Muitos investidores da região também mantêm um relacionamento duradouro com o Reino Unido e seus sistemas jurídico e de educação, que proporcionam uma sensação de estabilidade, disse.

Assim como os descontos cambiais, o mercado imobiliário londrino está atraindo compradores depois de ficar mais barato comparado a outros mercados europeus. Escritórios de alto padrão oferecem rendimentos de 3 por cento em Paris e 3,5 por cento em Berlim, comparados com 4,25 por cento no distrito financeiro de Londres, segundo a Knight Frank.

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