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Homens recuam na batalha pelo orçamento familiar

Ben Steverman

14/02/2017 14h22

(Bloomberg) -- Você apronta as crianças para irem para a escola, eu para irem para a cama. Você faz o jantar, eu lavo a louça. Você vai à reunião do condomínio, eu limpo o banheiro.

Os casais modernos dividem o trabalho doméstico de todas as maneiras possíveis, mas um estereotipado ponto de atrito permanece: o dinheiro. Não é fácil decidir como os recursos da família devem ser gastos, investidos e poupados. E no que diz respeito aos casais heterossexuais, as pesquisas mostraram que o trabalho muitas vezes é dividido com base nos papéis tradicionais de gênero -- nas noções do que é "masculino" ou "feminino".

Essas velhas normas ainda têm muita importância, segundo um estudo recente do Consumer Payments Research Center do Federal Reserve de Boston. As mulheres têm mais probabilidade de controlar aspectos das finanças familiares como compras e pagamento de contas. E apesar de muitas das maiores decisões financeiras serem divididas igualmente, os homens ainda têm mais probabilidade de controlar assuntos mais importantes, como economia e investimento.

Mas outro fator está ganhando importância na hora de decidir quem toma decisões financeiras: quem ganha o dinheiro escolhe como gastá-lo.

O pesquisador do Fed, Marcin Hitczenko, analisou uma pesquisa com mais de 3.000 participantes para avaliar o processo de tomada de decisões de casais oficialmente casados ou não que dividem uma casa. (Ele também usou os dados da pesquisa para ajudar a contabilizar o fato de que os casais nem sempre estão de acordo sobre suas respectivas contribuições). A maioria esmagadora das mulheres ainda assume a responsabilidade pelas compras, aponta o estudo, sejam elas donas dos maiores salários, ganhando o mesmo ou com remuneração menor que a de seus parceiros. Menos de um em cada seis homens tem a tarefa principal de fazer as compras, independentemente de quanto dinheiro coloca sobre a mesa.

"No quesito compras, vemos que o gênero é praticamente o único fator que determina a dinâmica", disse Hitczenko em entrevista.

Enquanto isso, no que diz respeito a pagar as contas da família, o gênero ainda tem muita importância -- mas a renda individual tem uma importância um pouco maior. Em casais nos quais o homem ganha mais do que a mulher, eles têm aproximadamente a mesma probabilidade de assumir a responsabilidade pelo pagamento das contas. As mulheres, contudo, têm uma probabilidade muito maior de pagar as contas se ganham o mesmo -- ou mais -- que seu parceiro do sexo masculino.

As decisões sobre economia e investimentos são muitas vezes compartilhadas igualmente em um casal. Contudo, em mais de 40 por cento do tempo um dos membros assume a responsabilidade primária pelo gerenciamento do dinheiro -- e normalmente é o homem. As mulheres só têm uma probabilidade maior de assumir a tarefa quando ganham mais do que o homem.

E quanto aos bancos e aos impostos? A renda também é importante aqui: quando as mulheres ganham menos, elas assumem a dianteira em apenas 16 por cento do tempo. Quando ganham mais, o número praticamente dobra, para 31 por cento.

Em todos os casos, a maioria das pessoas compartilha essas grandes decisões financeiras com seus cônjuges e parceiros.

No que diz respeito a investir, poupar e tomar outras grandes decisões financeiras, "faz sentido que essas decisões sejam divididas", disse Hitczenko.