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Robôs dominam fábricas na Suíça por moeda forte e salários altos

Alice Baghdjian e Albertina Torsoli

(Bloomberg) -- À sombra dos Alpes, as empresas suíças enfrentam uma nova realidade: elas não criarão empregos industriais no país no futuro próximo - pelo menos não para os seres humanos.

Diante do franco que se recusa a cair e de uma das médias de salários anuais mais altas do mundo, as empresas suíças que pretendem se expandir devem fazer uma escolha simples: adicionar robôs ou sair do país. A fabricante de perfumes Firmenich International escolheu os robôs e investiu US$ 60 milhões nos últimos três anos para automatizar uma fábrica perto de Genebra para aumentar a capacidade em um terço sem contratar mais funcionários. Em contraste, a fabricante de bombas hidráulicas Sulzer fechará uma fábrica perto de Winterthur, no cantão de Zurique, para deslocar a produção para outro lugar da Europa, uma medida que custará à Suíça 90 empregos.

"A automação é imprescindível se quisermos manter a competitividade", disse Gilbert Ghostine, CEO da Firmenich - que fabrica perfumes para estilistas como Hugo Boss e Issey Miyake - em uma entrevista. "Precisamos continuar nos reinventando."

Líderes populistas como o presidente dos EUA, Donald Trump, aumentam a pressão para manter a fabricação em seus países, mas a experiência da Suíça demonstra que isso não necessariamente significa mais empregos. No final de março de 2016, mais de um ano depois que o Banco Nacional Suíço (SNB, na sigla em inglês) voltou à livre flutuação frente ao euro, o setor de máquinas, produtos elétricos e metais da Suíça registrou uma queda de 3 por cento no número de trabalhadores em tempo integral e em meio período em relação ao ano anterior, segundo a Swissmem, um grupo do setor.

Pressões

A Suíça - onde o franco chegou a disparar 41 por cento em um único dia após a decisão do SNB e o salário anual médio é de mais de US$ 58.000 - talvez seja um caso extremo, mas empresas em grande parte do mundo desenvolvido enfrentam pressões similares para aumentar a produtividade a fim de manter a competitividade. Robôs chegaram até mesmo ao cerne do plano econômico de um candidato presidencial francês.

Quase metade dos funcionários do setor suíço de fabricação tem ocupações com alta probabilidade de automação, afirmou a Deloitte em uma pesquisa em 2016. No ano anterior, uma pesquisa da Deloitte e da BAKBASEL com 400 fabricantes suíços de máquinas revelou que 70 por cento dos participantes tinha incrementado a automação em resposta à força do franco. Outros simplesmente transferiram a produção para lugares mais baratos no exterior.

Competitividade

"Tivemos que mandar para fora da Suíça a produção que deixou de ter custos competitivos", disse o diretor financeiro da Sulzer, Thomas Dittrich, em outubro. Embora a empresa tenha automatizado a produção na Suíça para os mercados de adesivos dentais e industriais, produtos que exigem muito trabalho manual serão feitos pela empresa na China, disse ele.

A Firmenich ficou, mas sua nova fábrica é 90 por cento automatizada. A decisão da companhia de continuar investindo no cantão de Genebra se deve em parte às fortes conexões desenvolvidas com bancos e universidades locais em 122 anos de história.

"É muito melhor agora", disse Alexandre Esteves, veterano com 17 anos na empresa que dirige uma equipe na fábrica. "É preciso menos manutenção, as pessoas não têm que carregar tantas coisas pesadas. Produzimos mais."

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