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Uber investiga queixas de discriminação de gênero

Eric Newcomer

(Bloomberg) -- O Uber Technologies está analisando queixas de assédio sexual realizadas por uma ex-engenheira, uma nova acusação que provavelmente chamará a atenção mais uma vez para a ausência de mulheres em cargos técnicos no Vale do Silício.

O CEO Travis Kalanick disse que a empresa de transporte compartilhado realizará uma investigação interna em resposta a uma publicação de blog feita no domingo por Susan Fowler. A ex-programadora de software afirmou ter sido abordada por seu gerente e que as denúncias do caso foram ignoradas pelo departamento de Recursos Humanos.

"Estava claro que ele estava tentando me convencer a ter relações sexuais com ele, e isso passou tão claramente dos limites que eu imediatamente gravei capturas de tela dessas mensagens de bate-papo e o denunciei para o RH", escreveu Fowler. Ela disse ter sido informada por gerentes seniores que ele era "um profissional de alto desempenho" e que eles não queriam puni-lo pelo que consideravam ser um "erro não intencional".

O relato dela é o mais recente de uma série de acusações feitas por mulheres que afirmam ter sido colocadas de lado na cultura predominantemente masculina do Vale do Silício, em especial nos cargos de engenharia. O exemplo recente de maior visibilidade é o processo judicial por discriminação de gênero de Ellen Pao contra a Kleiner Perkins Caufield & Byers em 2015. Uma ex-engenheira do Twitter alegou há um ano que ela foi obrigada a sair por ter reclamado que homens ocupam uma quantidade desproporcional de posições seniores em seu departamento. O Twitter e a Kleiner Perkins, que ganhou a ação, negaram essas acusações.

"Acabei de ler o blog de Susan Fowler. O que ela descreve é repugnante e se opõe a tudo o que o Uber defende e acredita", disse Kalanick no domingo em um tweet e através de um comunicado divulgado pelo Uber. "Buscamos que o Uber seja um ambiente de trabalho justo para todos e não pode haver lugar para esse tipo de comportamento no Uber ? e todos que se comportem assim ou que achem que isso é aceitável serão demitidos."

O CEO disse que instruiu Liane Hornsey, diretora de Recursos Humanos recentemente contratada do Uber, a "realizar uma investigação urgente sobre essas acusações". Arianna Huffington, membro do conselho do Uber, disse que trabalhará com Hornsey na investigação.

Fowler não respondeu imediatamente a uma mensagem enviada a uma conta de Twitter que parece ser dela nem a um e-mail enviado ao endereço que aparece em seu site. Ela disse que saiu do Uber em dezembro depois de um "ano estranho" e que atualmente trabalha na Stripe, uma startup de pagamentos.

Em sua conta, Fowler disse ter escutado histórias semelhantes de outras mulheres no Uber e que algumas delas envolviam o mesmo gerente. Ela acusou o departamento de Recursos Humanos do Uber de não fazer nada em relação a esses relatos e de impedir quaisquer oportunidades de avanço.

"Sinto muita tristeza, mas não posso deixar de rir do quanto tudo foi ridículo", escreveu Fowler. "Uma experiência muito estranha."

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