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Efeito Brexit na economia britânica é crônico, não paralisante

Jillian Ward e Scott Hamilton

(Bloomberg) -- A economia do Reino Unido poderá pagar por muito tempo pelo Brexit.

A força da expansão econômica do país desde a decisão, em referendo, de deixar a União Europeia não diminuiu as preocupações a respeito de como a decisão chegará à economia nos próximos anos. Não será o Armagedon, mas o consenso entre os economistas -- cujas projeções sobre as consequências iniciais foram em grande parte pessimistas demais -- é que haverá um efeito prolongado que acabará diminuindo a produção, os empregos e a riqueza em alguma medida.

Por enquanto a economia continua em expansão. Os números divulgados na terça-feira mostraram crescimento de 0,7% no quarto trimestre de 2016, ritmo mais rápido em um ano, revisado para cima após um cálculo anterior de 0,6%.

À medida que os analistas fazem avaliações a longo prazo, os problemas levantados variam dos reflexos no comércio, nos investimentos e no distrito financeiro de Londres até um efeito dominó nas contratações, na inflação e na demanda. Pode haver também fatores compensatórios a serem considerados, o que inclui a possibilidade de algum dos benefícios perdidos da adesão à UE ser replicado ou substituído por meio de outros acordos.

Como a primeira-ministra Theresa May indica que poderá buscar um Brexit duro -- tirando o Reino Unido do mercado único para ter um controle maior sobre a imigração -- os cenários com custos econômicos maiores se tornaram mais prováveis. Entre os cenários mais pessimistas está o elaborado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que projeta a perda de até 9,5% das receitas.

"O comércio, a abertura e a imigração são as grandes questões", disse Andrew Goodwin, economista da Oxford Economics. "Nós calculamos que o tipo de acordo buscado pelo Reino Unido provocará a destruição do comércio exterior em algum nível. E se falarmos sobre a redução do nível de imigração, isso provavelmente resultará no enfraquecimento das perspectivas de crescimento."

Mesmo com o peso do Brexit, a Bloomberg Intelligence e a PricewaterhouseCoopers ressaltam que o Reino Unido ainda terá desempenho superior ao de outras grandes economias da zona do euro. Outras instituições estão ainda mais otimistas. O grupo Economists for Free Trade, por exemplo, prevê impulso com a "ótima" política de eliminar as tarifas à importação.

A maneira como isso ocorrerá também influenciará a política do Banco da Inglaterra. O presidente do banco, Mark Carney, disse na terça-feira que os diversos cenários do Brexit ajudarão a determinar quando as taxas de juros subirão e com que velocidade.

O resumo de algumas dessas avaliações mostra a variedade de resultados potenciais da saída da UE e da perda do livre acesso ao maior bloco de livre comércio do mundo. O crescimento potencial do Reino Unido -- a velocidade com que o país poderia crescer usando todos os seus recursos da forma mais eficiente -- também poderia ser prejudicado. A seleção de projeções que fazemos é baseada em diferentes suposições, refletindo as diversas opções do Brexit.

Embora as visões mais negativas sejam a maioria, é improvável que elas tirem o governo May de seu caminho atual.

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