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Desemprego e concessão de benefícios é problema cada vez maior. Na Noruega

Sveinung Sleire

  • Reprodução/fjordtours

(Bloomberg) -- A harmonia social está em risco na terra do igualitarismo. Prejudicados pela recente oferta excedente de petróleo, cada vez mais noruegueses estão abandonando o mercado de trabalho. Se a situação não melhorar, um dos estados de bem-estar social mais generosos do mundo pode ser prejudicado.

Segundo o órgão de estatísticas da Noruega, a porcentagem de pessoas em idade ativa empregadas caiu para 70,6% em 2016, menor proporção em 21 anos. O declínio começou com a crise financeira de 2008 e quase não teve intervalos desde então.

Não é apenas o número de desempregados que está subindo --o índice de desemprego atingiu 5% no ano passado. O número de pessoas que estão desistindo de conseguir emprego também está em alta.

Petróleo, envelhecimento e robótica

Jeanette Strom Fjare, economista do DNB, o maior banco da Noruega, afirma que embora a depressão recente dos preços do petróleo tenha "reforçado o recuo", fatores de longo prazo também estão afetando a participação dos trabalhadores no país que é o maior produtor de petróleo da Europa Ocidental.

Entre eles está o envelhecimento populacional e o uso crescente de automação e robótica como substitutos dos empregos que oferecem baixos salários.

Igualdade social pode ser afetada

Níveis reduzidos de ocupação significam receitas menores com impostos. O governo é limitado por lei em relação a quanto pode compensar por qualquer deficit de financiamento utilizando seu enorme fundo de petróleo, por isso as receitas tributárias mais baixas poderão afetar a oferta do bem-estar social, possivelmente ampliando as diferenças sociais --um pecado capital em um país que preza a igualdade.

"A configuração atual do estado de bem-estar social se tornará uma carga pesada daqui para frente, considerando a tributação e a abordagem aos gastos que temos hoje", disse Marius Gonsholt Hov, economista do Handelsbanken.

O governo, no entanto, está empreendendo uma série de gastos, o que preocupa o banco central.

Aumenta o número de benefícios sociais

A análise pormenorizada dos números do desemprego sugere que as regiões dominadas pelo petróleo, junto com a costa sudoeste do país, foram as mais afetadas.

Além disso, o crescimento do desemprego tem afetado em particular os homens de classes de baixa renda com pouca escolaridade.

Strom Fjare ressalta números que mostram aumentos notáveis no número de beneficiários do chamado subsídio de avaliação de trabalho nas regiões petrolíferas, um possível sinal de que a crise ampliou as licenças por doença. Este é um problema real para um país que oferece uma licença por doença equivalente a 100% do salário do trabalhador por até um ano.

Aliás, os benefícios por invalidez na Noruega são universais, e não apenas para os trabalhadores afetados, o que significa que uma pessoa que nunca trabalhou ainda pode receber ajuda do estado, na faixa de 40% a 50% do salário médio nacional.

Deve piorar

Vibeke Madsen, chefe da maior organização de empregadores da Noruega dos setores de serviços e varejo, diz que as coisas deverão piorar. Virke estima que 30% dos empregos "tradicionais" deverão desaparecer à medida que a economia passar do trabalho manual para as máquinas.

Rune Bjerke, chefe do DNB, estima que o número de funcionários que trabalham em seu banco será cortado em mais da metade nos próximos cinco anos.

"Sabemos desses problemas há bastante tempo", disse Gonsholt Hov. "Se queremos chegar a algum lugar, temos que fechar grandes acordos, particularmente na questão das pensões e da participação da mão de obra", disse ele.

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