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Política de licença parental não está fazendo sucesso nos EUA

Rebecca Greenfield

(Bloomberg) -- Lembra daquela disputa louca para oferecer aos funcionários semanas e semanas de licença remunerada para todos os novos pais?

Essa tendência se limitou a um determinado setor da economia dos EUA. Durante a última década, muitas companhias na verdade reduziram a oferta de licenças.

Nos últimos anos, diante do acirramento do mercado de trabalho, Google, Netflix, American Express e outras empresas de elite anunciaram políticas de licença prolongadas, dando aos trabalhadores mais tempo livre que nunca em uma espécie de corrida armamentista da licença parental. Quando o Google (atualmente parte da Alphabet) estendeu sua licença-maternidade de 12 para 18 semanas em 2007, a taxa de abandono da companhia por novas mães caiu 50 por cento. De lá para cá, mais empresas com dificuldade para contratar e reter profissionais perceberam que políticas de licença parental generosas e amplamente inclusivas geram economias com os custos de rotatividade. E também não é uma propaganda ruim.

No entanto, muitas companhias retrocederam em relação a políticas completamente remuneradas, um benefício que já é raro para o trabalhador comum dos EUA, de acordo com uma nova pesquisa nacionalmente representativa realizada pela Society for Human Resource Management (SHRM) e pelo Families and Work Institute.

De 920 empregadores dos EUA com 50 ou mais funcionários que oferecem licença remunerada, a porcentagem que oferece pagamento integral aos novos pais caiu de 17 para 10 por cento entre 2005 e 2016, concluiu a pesquisa. Entre as organizações que de fato oferecem a licença, o tempo livre máximo concedido aos novos pais caiu, em média, de 15,2 semanas para 14,5 semanas.

Os novos dados contestam o aumento percebido de políticas de licença parental chamativas e envolventes que oferecem 16, 20 ou até mesmo 52 semanas com remuneração integral para todos os novos pais. Na verdade, a maioria das companhias não está expandindo suas ofertas de licença-maternidade, de licença-paternidade ou de licença parental.

Assim como muitos benefícios trabalhistas, a licença parental remunerada é uma história com dois lados. Embora o número de companhias que oferecem alguma licença remunerada para novos pais tenha aumentado de 46 para 58 por cento na última década, a cobertura não chegou na forma de políticas de licença expandidas, concluiu a SHRM. Em vez disso, mais companhias estão oferecendo um seguro por incapacidade temporária. Dos empregadores que oferecem pelo menos algum tempo de licença-maternidade remunerada, 78 por cento financiam o período através de um plano de seguro por incapacidade temporária, segundo a pesquisa.

O problema é que a incapacidade temporária tem um escopo muito mais restrito que os pacotes de licença parental. Novos pais, pais adotivos ou mulheres que não deram à luz elas mesmas ao filho não estão cobertos, e a maioria dos pacotes cobre apenas entre 60 e 75 por cento da remuneração, seja por seis ou oito semanas. Algumas companhias compensam a diferença de remuneração e tempo livre para as novas mães a fim de oferecer uma licença remunerada integral.

"Achávamos que haveria um aumento na duração das licenças ou nos fundos oferecidos por causa de todas as empresas famosas que viraram notícia por oferecer isso", disse Ellen Galinsky, presidente do Families and Work Institute. "Não foi o caso."

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