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Amazon luta para entrar no mercado de gêneros alimentícios

Spencer Soper e Olivia Zaleski

(Bloomberg) -- "Muito perdulária" não é uma frase normalmente associada à Amazon, que presta tanta atenção aos custos que certa vez retirou as lâmpadas das máquinas automáticas de venda de sua cafeteria. No entanto, após passar vários meses analisando os centros de transporte de gêneros alimentícios da varejista virtual em 2014, foi exatamente assim que um estudante de engenharia mecânica descreveu a abordagem da companhia para vender bananas.

Funcionários da Amazon Fresh, a unidade de entrega de alimentos da companhia, jogaram fora cerca de um terço das bananas que compraram porque o serviço só vendia a fruta em pencas de cinco, concluiu o estudante. Os funcionários cortavam cada uma das pencas e jogavam fora o excedente.

O artigo científico escrito por Vrajesh Modi, que atualmente trabalha para a Boston Consulting Group, destacou outros problemas: funcionários mal treinados muitas vezes ficavam sem ter o que fazer. Morangos mofados eram devolvidos com frequência por consumidores decepcionados. Inspetores da Amazon achavam que seus chefes corporativos não se importavam muito com a qualidade dos alimentos.

Esses desafios persistem para a Amazon. Apesar das várias tentativas de entrar no setor de gêneros alimentícios, que movimenta US$ 800 bilhões, e de quase dez anos no ramo, a companhia teve dificuldade para estimular os consumidores a comprar ovos, bifes e frutas pela internet do mesmo jeito que compram livros, tablets e brinquedos.

"As vendas virtuais de gêneros alimentícios estão caindo", disse Kurt Jetta, CEO da TABS Analytics, uma empresa de pesquisa sobre produtos de consumo. Apenas 4,5 por cento dos consumidores compraram alimentos regulamente pela internet em 2016, pouco mais que os 4,2 por cento registrados há quatro anos apesar dos enormes investimentos realizados por companhias como a Amazon, de acordo com as pesquisas anuais da empresa. "Simplesmente não há muita demanda aí. Toda a premissa é que as pessoas não precisem ir ao mercado, mas na verdade as pessoas gostam de ir ao mercado comprar alimentos."

Parece que agora o CEO da Amazon, Jeff Bezos, está entendendo que não conseguirá ganhar esse jogo só com sites, depósitos e caminhões. A maior loja virtual do mundo considera que as lojas tradicionais desempenharão um papel fundamental em uma nova investida no campo dos gêneros alimentícios, mostram documentos analisados pela Bloomberg. E, assim como fez com a Amazon Fresh, a companhia lançará seus mais novos projetos em Seattle, sua sede.

Na terça-feira passada, homens em plataformas elevatórias trabalharam sob a chuva para colocar letreiros da Amazon Fresh em uma loja de alimentos com drive-in no bairro Ballard, de Seattle, onde os clientes podem parar e abastecer o carro com as compras feitas pela internet. Outros trabalhadores estavam ocupados em um lugar semelhante ao sul do centro, armando toldos sobre as vagas do estacionamento para proteger os clientes das condições climáticas quando eles forem buscar suas compras. A sigilosa companhia ainda não anunciou esses projetos, e os trabalhadores cobriram os letreiros da Amazon com papel e tecido preto.

No fim do ano passado, a Amazon adquiriu o software de rede de abastecimento da LLamasoft ? uma enorme mudança para uma companhia famosa por suas habilidades logísticas e um desafio ao mantra interno de "construir em vez de comprar". E, mais recentemente, a empresa reestruturou o gerenciamento de diversas equipes de alimentos para estreitar o foco delas e definir prioridades claras, de acordo com pessoas a par das unidades da companhia.

Essas mudanças chegam em um momento em que a Amazon se desvincula de sua fórmula padronizada de despachar em caixas produtos retirados de depósitos lotados. Em vez disso, ela convidará os clientes a suas próprias lojas para que eles sintam o cheiro das laranjas, vejam os tomates e apalpem as melancias. Antes do lançamento nacional nos EUA no próximo ano, a Amazon está testando três formatos de lojas físicas em Seattle ? as lojas de conveniência chamadas Amazon Go, os quiosques com drive-in e um supermercado híbrido que mistura o melhor das compras virtuais e das lojas. A companhia poderá chegar a abrir 2.000 lojas, de acordo com documentos internos.

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