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Vendedores da Amazon ganham seguro especial do Lloyd's

Spencer Soper

(Bloomberg) -- Como muitos que se sustentam vendendo coisas na Amazon, Rob Griffin tem muito medo de ser expulso do site. Há dois anos, o morador de Atlanta foi suspenso por vender um suplemento alimentar proibido e acabou vivendo dos cartões de crédito durante algumas semanas. A Amazon reincorporou Griffin, mas ele não esqueceu o incidente.

Por isso, quando um agente de seguros ofereceu a Griffin uma apólice de US$ 1.200 que cobria até US$ 1 milhão em renda perdida durante uma suspensão da Amazon, ele não hesitou. "Foi uma decisão fácil", diz Griffin, que sustenta uma família de cinco integrantes vendendo cápsulas de unhas-de-gato, alho e outros. "Eu queria ter alguma proteção."

Nos últimos anos, toda uma indústria caseira surgiu à sombra da maior loja virtual do mundo. Há empresas de consultoria que prometem ajudar os comerciantes da Amazon a enriquecer. Agências de recrutamento temporário encontram trabalhadores para os armazéns da Amazon durante a temporada de compras do Natal. Agora, o setor de seguros descobriu um nicho, graças a uma empreendedora do Kentucky que vende roupa de cama personalizada na Amazon.

O nome dela é Lori Jurans, e ela teve a ideia há dois anos, em uma conferência anual no Kentucky, onde vendedores como ela compartilham dicas e segredos sobre a venda de artigos na Amazon. Durante o encontro, Jurans ouviu diversas histórias de comerciantes que haviam sido suspensos.

Em alguns casos, eles tinham violado os termos da Amazon ao vender itens vencidos, estragados ou falsificados. Mas os vendedores contaram a Jurans que também foram expulsos por motivos fora do controle deles - porque um mensageiro atrasou a entrega ou porque clientes que queriam um reembolso reclamaram apesar de o produto estar bem.

A Amazon, que não quis comentar para esta reportagem, afirma ter várias ferramentas on-line e uma equipe dedicada a ajudar os comerciantes a resolver qualquer problema. Mas eles afirmam que precisam passar por um processo misterioso, em grande parte por e-mail, que pode demorar semanas - e às vezes não é resolvido.

"Você é culpado até que se prove o contrário, e eu não gostei disso", diz Jurans. Quando ela ia renovar uma apólice de responsabilidade geral, ela perguntou ao agente se a apólice cobria a renda perdida após uma expulsão da Amazon. Não cobria.

Então, Jurans e dois agentes de seguros do Kentucky abriram uma empresa chamada Well Insurance. E pediram assessoramento à InsuraTech, uma empresa de Indiana cujo CEO, Tim Craig, cultivou uma forte relação com o Lloyd's de Londres. O famoso mercado subscreve há tempos nichos incomuns, entre eles apólices que cobrem a voz de Bruce Springsteen, o sorriso de America Ferrera e abduções alienígenas. O próprio Craig trabalhou com o Lloyd's para criar seguros que reembolsam avicultores caso eles percam seus bandos para a gripe aviária.

Ele vendeu a apólice de Amazon aos subscritores especializados do Lloyd's, que decidiram aceitá-la embora a Amazon ofereça pouca visibilidade sobre taxas de suspensão ou termos de reincorporação. Operadores de seguros estão oferecendo cada vez mais apólices de nicho que protegem clientes de riscos incomuns - inclusive ameaças tecnológicas, como ataques cibernéticos. Essas apólices especializadas ajudam as seguradoras a compensar as margens baixas da cobertura mais tradicional para imóveis e veículos.

Chris McCabe, que investigava clientes para a Amazon e agora os ajuda a ser reincorporados, acha que essas apólices serão populares entre seus clientes. "Eles precisam de algum tipo de proteção, senão ficam completamente expostos", diz ele. "Eles têm que sustentar famílias e funcionários, como todo mundo."

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