Produção no Golfo do México amplia problemas da Opep nos EUA

Mark Shenk e David Wethe

(Bloomberg) -- A exploração nos campos de xisto não é o único problema da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) nos EUA. O Golfo do México também está atrapalhando o plano do cartel para aliviar o excesso de oferta global do combustível.

Enquanto os férteis campos de xisto dos EUA dominam as atenções, a produção tradicional offshore caminha discretamente para um recorde, como resultado de decisões de investimento tomadas anos atrás. A produção no golfo aumentou em 222.000 barris diários no último trimestre de 2016 e compensou quedas em outros segmentos, de modo que o saldo líquido foi um aumento de 216.000 barris na produção nacional, segundo dados oficiais.

Em 2010, um vazamento a partir de uma explosão na plataforma Deepwater Horizon provocou a paralisação nas perfurações durante meses e aumentou a severidade dos regulamentos. Desde então, o setor tem alterado estratégias de perfuração e aprimorado a tecnologia. Assim, o custo médio dos projetos diminuiu 20 por cento.

Desta forma, boa parte da produção do golfo dá lucro com a cotação do barril em US$ 50 ou menos, de acordo com a consultoria Wood Mackenzie.

"Houve tanta melhora na nossa base de custos em águas profundas", disse Lamar McKay, vice-presidente da BP em entrevista à Bloomberg Television. "Os melhores projetos em águas profundas e próximos de infraestrutura serão destravados neste ano, no ano que vem e mais adiante."

Preços cobrem os custos

Nos próximos três anos, oito projetos offshore podem ser aprovados, todos eles com custos cobertos com o preço do barril abaixo de US$ 50, segundo apresentação da Transocean durante a conferência do setor energético conhecida como Scotia Howard Weil, em Nova Orleans, no começo da semana. Royal Dutch Shell, Anadarko Petroleum e Noble Energy já estão produzindo petróleo a partir de campos inaugurados no último ano.

"Não se trata apenas de diárias mais baratas de aluguel das plataformas", segundo relatório divulgado pela Wood Mackenzie na quinta-feira. "Um impacto bem maior vem das medidas que o setor tomou no Golfo do México e outros locais para reavaliar os desenhos dos projetos e melhorar desempenho", concluiu o documento. "Estamos vendo projetos que foram reduzidos agora surgindo com menos poços, menos conexões submarinas a outras instalações, instalações e capacidades menores - tudo isso se traduz em valores menores para cobrir os custos."

O aumento de produção no golfo transcorre enquanto a Opep e 11 países não integrantes se empenham em um acordo de redução da produção para elevar o preço do barril. O anúncio inicial de que o cartel estava estudando um acordo elevou a cotação em Nova York para perto de US$ 50 e o anúncio propriamente dito fez o preço ultrapassar essa barreira importante em 1º de dezembro.

Agora, o mercado aguarda ansiosamente a decisão do grupo sobre prorrogar ou não o acordo depois do vencimento em maio, apesar dos sinais de que os estoques nos EUA não cedem. A prorrogação do acordo pode provocar uma disparada da cotação do barril. Mas o encerramento do pacto pode resultar em queda do preço, ameaçando o crescimento da produção offshore, até certo ponto.

"A Opep seria sensata em não empurrar os preços muito para cima porque isso incentivaria seus concorrentes a aumentar a produção onshore e offshore", disse o acadêmico Adam Sieminski, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington e ex-presidente da Agência de Informações de Energia dos EUA.

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