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Minério de ferro sofre queda previsível e pode chegar a US$ 50

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Conforme esperado, o minério de ferro está voltando a cair. Diversos analistas, o banco central de Austrália e as próprias mineradoras haviam alertado que os ganhos eram insustentáveis, e o último golpe foi dado pelo maior exportador do mundo, que afirmou que os preços voltarão a ficar na faixa dos US$ 50.

O minério com 62 por cento de teor ferroso em Qingdao caiu 6,8 por cento, para US$ 75,45 por tonelada seca, e entrou em um bear market após recuar mais de 20 por cento em relação ao pico atingido em 21 de fevereiro, segundo a Metal Bulletin. Agora, o preço perdeu todos os ganhos deste ano e declinou 3,1 por cento. Na Ásia, os futuros em Dalian caíram 6,2 por cento e atingiram o valor de encerramento mais baixo em cinco meses porque o aço caiu muito.

O minério de ferro está recuando após ter atingido o nível mais alto desde 2014 em fevereiro, diante do receio de que o aumento da oferta de minas do Brasil, da Austrália e possivelmente da China voltaria a exceder a demanda, com alertas do Barclays e prejuízos registrados pela BHP Billiton. Também preocupa que mais restrições na China possam prejudicar o consumo, apesar da recuperação da atividade fabril. Nesta sexta-feira, o governo australiano projetou em um relatório trimestral que uma queda é provável.

"Antecipa-se que condições de crédito mais apertadas na China vão provocar certa queda na construção de propriedades no segundo semestre", disse Ric Spooner, chefe de análise de mercados da CMC Markets em Sidney. "Ao mesmo tempo, parece provável que a oferta externa e local de minério de ferro na China aumente. Como os estoques portuários da China continuam altos, os traders estão observando um risco de queda."

Perspectiva da Austrália

O minério poderia cair para US$ 55 por tonelada métrica no último trimestre de 2017 e a média projetada para o ano completo é de US$ 65,20, estimou o Departamento de Indústria, Inovação e Ciência da Austrália no relatório desta sexta-feira. No ano que vem, a média será de US$ 51,60, informou o departamento, com projeções segundo os preços free-on-board do maior exportador do mundo.

Essa é apenas a última de uma sequência de advertências. Em fevereiro, o presidente do Banco da Reserva da Austrália, Philip Lowe, disse que os preços das commodities voltariam a cair, e em comentários a legisladores ele destacou: "Não deveríamos começar a acreditar que o preço do minério de ferro vai permanecer em torno de US$ 90".

O relatório da Austrália antecipou uma onda crescente de exportações dos maiores produtores. As remessas da Austrália crescerão 8,3 por cento, para 876 milhões de toneladas neste ano, e atingirão 902 milhões de toneladas no ano que vem, projetou o departamento, e o volume exportado pelo Brasil aumentará todos os anos até 2022. A maior produtora brasileira, a Vale, está intensificando seu mais novo projeto, S11D. As ações caíram 2,2 por cento na quinta-feira.

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