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'Efeito Amazon' mudou para sempre a inflação global

Enda Curran e Michelle Jamrisko

(Bloomberg) -- No mundo inteiro, a incipiente recuperação da inflação despertou otimismo com a possibilidade de que, após anos de demanda desanimada, os preços finalmente estivessem ganhando impulso.

Uma dose razoável de inflação ajuda as economias a crescer porque aumenta os lucros das empresas - e, na teoria, os salários deveriam subir também - e facilita o pagamento de dívida (pelo menos enquanto os juros não subirem). A última disparada da reflação começou no ano passado graças a uma forte recuperação dos preços de fábrica da China e à melhoria da perspectiva de crescimento global.

Mas talvez este não seja um sinal de que a inflação que conhecíamos voltará. Ao contrário dos ciclos anteriores, quando os preços aceleravam e as autoridades econômicas tinham que intervir para esfriar a demanda, desta vez o ritmo estonteante de inovações no setor de varejo serve de amortecedor.

O surgimento das compras pela internet e dos sites de comparação de preços tornou os consumidores viciados em descontos. E mesmo quando as pessoas desgrudam das telas e vão às lojas, uma quantidade menor de atendentes e lojas menos deslumbrantes estão mantendo os preços baixos lá também.

Economistas de um banco australiano apelidaram esse processo de "efeito Aldi", em referência ao supermercado alemão com descontos famoso pela abordagem sem nenhum luxo.

"A parte mais inovadora do varejo continuará aumentando a concorrência com preços e, deste modo, terá um peso deflacionário", disse Richard Yetsenga, economista-chefe do Australia & New Zealand Banking Group em Sidney. "A tendência do 'efeito Aldi' chegou para ficar."

Efeito Amazon

O relatório 2017 Total Retail da PricewaterhouseCoopers concluiu que 47 por cento dos 24.471 entrevistados no mundo inteiro utilizam Amazon.com como site de pesquisa de preços. Japão, Alemanha, Brasil e EUA foram identificados como os quatro principais países cujos compradores compram menos frequentemente em lojas físicas devido ao "efeito Amazon".

Investidores vêm se tornando menos otimistas com a recuperação da inflação desde o começo do ano. O mercado global de títulos mede as expectativas de alta dos preços por meio das taxas implícitas de inflação, que são o diferencial de rendimentos entre a dívida soberana e os valores protegidos contra inflação com vencimento similar. Embora tenham aumentado em relação ao mesmo período do ano passado, as taxas implícitas de inflação nos países do G-7 caíram em comparação com os picos registrados no começo de 2017.

Nos EUA, a taxa implícita de inflação a 10 anos é de cerca de 1,9 ponto porcentual, frente a um pico de 2,09 pontos porcentuais em 2017, registrado em janeiro. Na Alemanha, ela é de 1,16 ponto porcentual, e, no Japão, de 0,46 ponto porcentual. A taxa caiu neste ano em ambos os países.

Recuperação

O crescimento limitado do crédito de empresas e consumidores ainda traumatizados pela crise também têm contido a demanda. Isso significa que menos dinheiro corre atrás de bens e serviços na economia real - fato que revela tudo o que é preciso saber sobre os preços apagados de hoje, segundo a ortodoxia monetarista.

E é nesse ponto que reflacionistas veem uma recuperação. Os maiores bancos centrais do mundo continuam com políticas relaxadas, e a transição da China da deflação fabril para uma alta dos preços poderia começar a se propagar pelo mundo à medida que os exportadores do país aumentarem os preços pedidos.

"Antecipamos uma tendência global geral a juros mais altos nos próximos dois anos", disse Yetsenga. "Mas o efeito Aldi sugere que o movimento será lento."

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