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Proibição maior a laptops custará US$ 1 bi, alertam aéreas

Christopher Jasper, Guy Johnson e Marine Strauss

(Bloomberg) -- A ampliação da proibição dos EUA ao transporte de aparelhos eletrônicos a bordo de aeronaves para incluir os voos da Europa custaria aos passageiros mais de US$ 1 bilhão, afirmou a Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata, na sigla em inglês).

Enquanto os limites atuais a alguns serviços do Oriente Médio e do Norte da África afetam 350 voos com destino aos EUA por semana, ampliá-los para os 28 países da União Europeia, além de Suíça, Noruega e Islândia, impactaria 390 por dia, ou mais de 2.500 por semana, estima a Iata. A decisão custaria aos passageiros US$ 655 milhões em produtividade perdida, US$ 216 milhões em tempos de viagem mais longos e US$ 195 milhões em aluguel de aparelhos a bordo, afirma a associação.

A expansão da proibição de laptops e tablets causaria uma perturbação "significativa" no mercado comercial transatlântico e pode não ser a melhor forma de conter ameaças terroristas, afirmou o CEO da Iata, Alexandre de Juniac, em entrevista, nesta quarta-feira.

"Viajar com laptop faz parte da vida cotidiana", disse De Juniac à Bloomberg. "Não temos certeza de que essa proibição esteja adaptada à realidade. Não sabemos qual é a base ou a informação dos órgãos de inteligência que justifica essa medida."

De Juniac fez o comentário no momento em que as autoridades dos EUA e da União Europeia se preparavam para uma reunião em Bruxelas para discutir a ampliação da proibição, que exclui aparelhos pequenos, como telefones. O porta-voz de transporte da Comissão Europeia disse antes da reunião que o órgão desconhece qualquer evidência que justifique novas medidas.

Além disso, algumas empresas vão preferir cancelar viagens em vez de entregar laptops repletos de informações confidenciais, segundo a Iata, que representa 265 empresas aéreas de todo o mundo. As próprias empresas aéreas arcariam com custos gerados por atrasos nas partidas, manuseio adicional de bagagens despachadas e responsabilidade por aparelhos danificados ou roubados, enquanto números, tarifas e até frequências de passageiros poderiam cair, afirma a associação. Ao mesmo tempo, os voos podem se tornar menos seguros tendo mais aparelhos com baterias de lítio armazenados no compartimento de carga.

A Iata precisa ser informada a respeito das preocupações dos EUA para contribuir para o desenvolvimento de uma solução, disse De Juniac, acrescentando: "podemos oferecer aparelhos apropriados no que diz respeito a medidas de segurança e de proteção para os passageiros. O que temos dito às autoridades americanas, britânicas e europeias é que, por favor, se vocês quiserem tomar essa medida, trabalhem muito de perto com o setor."

De Juniac escreveu ao secretário de Segurança Nacional dos EUA, John Kelly, e à comissária europeia de Transporte, Violeta Bulc, na terça-feira, expressando uma "séria preocupação" em relação à expansão da proibição e detalhando os custos estimados para os passageiros, segundo uma cópia da carta vista pela Bloomberg.

Se definirem a necessidade de impor proibições mais amplas, os governos devem considerar a possibilidade de aplicar medidas para melhorar a segurança e ao mesmo tempo evitar a concentração de aparelhos nos compartimentos de carga, diz o comunicado. Entre as medidas possíveis estão o uso maior de detectores de explosivos e cães farejadores, escrutínio visual maior dos aparelhos, emprego de agentes de identificação comportamental e implementação de programas de viajantes confiáveis para ajudar a identificar passageiros de menor risco, afirma a associação.

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