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Novo jeito de investir do Vale do Silício vem com pegadinha

Camila Russo

(Bloomberg) -- É tarde demais para investir na Airbnb, mas uma empresa que se vende como a Airbnb da armazenagem em computação em nuvem está levantando dinheiro -- e qualquer pessoa com conexão à internet pode participar do processo.

A Storj Labs está vendendo moedas digitais a US$ 0,50 cada para levantar US$ 30 milhões na fase inicial da rodada de financiamento. Em apenas cinco dias, centenas de colaboradores se inscreveram para ter um pedaço da empresa que esperam que seja o próximo unicórnio do Vale do Silício. Mas há uma pegadinha -- diferentemente dos investimentos tradicionais de capital de risco, os tokens não dão direito às ações e aos lucros futuros da Storj.

Em vez disso, o valor dos tokens deriva de sua utilidade no aplicativo da empresa, fornecendo acesso ao armazenamento de dados em uma rede distribuída. Eles são a última entrada no crescente livro-razão das moedas criptografadas, moedas digitais que desbloqueiam uma série de aplicativos no mundo da computação. As moedas são negociáveis em dezenas de bolsas on-line e a demanda por todo tipo delas tem disparado porque as pessoas estão especulando qual será a próxima grande startup de tecnologia.

"O investidor médio está perdendo as Ubers e AirBnbs do mundo", disse Bart Stephens, sócio-gerente da Blockchain Capital, empresa de capital de risco que investe em startups relacionadas a blockchains desde 2012. "Se a próxima Uber decidisse emitir tokens, seria uma oportunidade para que mais investidores tivessem acesso às tecnologias mais excitantes existentes."

A venda da Storj é conhecida como oferta inicial de moeda (ICO, na sigla em inglês), um modelo do financiamento que está se espalhando pelo setor de tecnologia. Os investidores gastaram US$ 332 milhões em tokens nos últimos 12 meses, mais do que o dobro do que os capitalistas de risco entregaram em seed rounds (rodadas de investimento "semente"), segundo dados compilados pelo blog The Control, focado em moedas. O total deverá chegar a US$ 600 milhões em 2017, afirma o blog, ampliando um mercado de tokens que quase triplicou nos últimos 12 meses.

As ICOs são possíveis graças ao blockchain, termo genérico para um livro-razão digital que promete a armazenagem incorruptível de transações financeiras. Os bancos e as bolsas de valores têm investido milhões nisso em busca de formas de cortar custos das transferências de dinheiro ou para registrar vendas de ações. Uma das últimas a apoiarem a tecnologia foi a CEO da Fidelity Investments, Abigail Johnson. A tecnologia é mais famosa por ser a base do bitcoin -- de forma similar a cada token oferecido em uma ICO.

Para os empreendedores, o apelo é óbvio. Um informe publicado on-line substitui semanas de discursos para empresas de capital de risco, seguido por um leilão on-line que pode levar minutos. A tecnologia pode ser modificada por especialistas em computação de todo o mundo, o que oferece uma profundidade de conhecimento que muitas vezes falta até mesmo nas melhores empresas do Vale do Silício.

"Você não precisa se limitar", disse Jae Kwon, que arrecadou US$ 16,8 milhões em uma venda de moedas da Cosmos, empresa que busca oferecer serviços semelhantes a custódias para transações entre diferentes blockchains. "Não existem muitos capitalistas de risco e eles não são especialistas. As pessoas que contribuíram para a nossa captação de recursos são especialistas."

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