Banqueiro luta para restaurar estabilidade no Afeganistão
(Bloomberg) -- A pior situação possível para a maioria dos bancos centrais é uma recessão, uma deflação ou uma escassez de crédito. Um banco pode até ir à falência se as coisas ficarem realmente duras. Mas esse não é o caso do Afeganistão.
Ali, o Da Afganistan Bank teve que lidar com uma forte desaceleração econômica agravada pela retirada das forças americanas, pelos ataques dos talibãs contra um banco e por um escândalo com US$ 900 milhões em empréstimos e o consequente colapso de um banco, que aprofundaram a desconfiança nas instituições financeiras em um país onde apenas 11 por cento dos 32 milhões de habitantes têm uma conta bancária. Agora, pode ser que o pior já tenha passado.
O Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e os bancos centrais da Índia e da Turquia estão ajudando a desenvolver o Da Afghanistan Bank, disse o presidente Khalil Sediq em entrevista de seu escritório com painéis de madeira em Cabul. Os lucros do banco aumentaram 5 por cento no ano passado e o sistema financeiro do país recuperou a estabilidade, disse Sediq.
O executivo de 64 anos -- em seu segundo período no cargo -- conseguiu restaurar a estabilidade apesar da estagnação do crescimento econômico. Menos ajuda da comunidade internacional e a pouca confiança dos investidores diante de problemas cada vez maiores de segurança e instabilidade política afetaram a economia, segundo uma avaliação do Banco Mundial feita em 25 de maio. Contudo, a previsão é de tempos melhores, já que se prevê que o crescimento acelerará para 2,6 por cento em 2017 e por volta de 3,6 por cento até 2020.
Desafios
Sediq entrou no banco central há 37 anos e foi presidente pela primeira vez de 1990 a 1991. Voltou a assumir o cargo a convite do presidente Ashraf Ghani em julho de 2015, em meio a uma desaceleração econômica após a retirada das forças estrangeiras. Meses depois, os talibãs, que lutam contra o governo e as forças americanas em grande parte do país, assaltaram o New Kabul Bank na cidade de Jalalabad e mataram soldados afegãos que tinham ido receber seus salários.
Cinco anos antes de Sediq de assumir o cargo, o Kabul Bank perdeu mais de US$ 900 milhões em ativos por empréstimos de liquidação duvidosa a seus funcionários. O governo do então presidente Hamid Karzai assumiu o banco e o colocou em recuperação judicial. Até agora US$ 450 milhões dos empréstimos foram recuperados, disse Sediq.
O FMI confirmou que presta assistência técnica em gestão bancária e está ajudando a fortalecer a independência, as operações e as práticas de supervisão do Da Afghanistan Bank. Em 2016, o FMI tomou medidas para reforçar a estabilidade financeira "solucionando totalmente a crise do Kabul Bank em 2010, restaurando o balanço do banco central e a solvência do New Kabul Bank", disse uma porta-voz do FMI em Cabul.
A assistência do Banco Mundial se concentra no desenvolvimento da capacidade regulatória do departamento de supervisão, em investimentos na infraestrutura do sistema para criar um sistema de pagamentos eficiente e sensato e na modernização do sistema bancário básico, escreveu uma porta-voz em Washington.
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