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Cidade britânica compra banco para lidar com cortes de gastos

Richard Partington

(Bloomberg) -- Quem viaja pela região sente o cheiro de Warrington antes de ver a cidade. Uma enorme fábrica da Unilever instalada ali produz toneladas de sabão líquido perfumado para lavar roupas. Se o viajante não prestar atenção, a cidade passa despercebida.

Mas há um motivo para prestar atenção. A cidade-dormitório que fica entre Liverpool e Manchester está conduzindo uma experiência bancária que pode resultar em um plano pós-Brexit para municípios que enfrentam simultaneamente a queda dos empréstimos a pequenas empresas e a redução dos recursos liberados pelo governo central.

Autoridades de Warrington, onde o Partido Trabalhista domina, decidiram deixar de lado as divergências e investir em um banco iniciante comandado por um grande doador do Partido Conservador, David Rowland, com apoio de dois magnatas americanos do mundo das finanças ? David Bonderman, da TPG, e Rick Gerson, da Falcon Edge. A expectativa é usar dinheiro do contribuinte para gerar taxas de retorno superiores às obtidas no mercado e ao mesmo tempo injetar crédito na economia. Críticos argumentam que o conselho municipal está atuando além de sua competência financeira e criando possíveis conflitos de interesse.

"Isso provavelmente não parece muito convencional", disse Russ Bowden, conselheiro responsável pela operação pela qual Warrington comprou por 30 milhões de libras esterlinas (US$ 39 milhões) um terço do Redwood Bank. A instituição recebeu licença em abril e planeja estrear em julho. "Mas um bom negócio é um bom negócio, independentemente da política."

Para Bowden, que trabalha também como físico nuclear, os grandes bancos "claramente têm menos apetite para emprestar a pequenas empresas", embora o prefeito eleito no ano passado fosse assessor sênior de empréstimos no NatWest ? subsidiária do Royal Bank of Scotland Group que domina o mercado regional. Faisal Rashid também foi o primeiro muçulmano no cargo e abreviou seu mandato para concorrer pelo Partido Trabalhista nas eleições ao Parlamento britânico em 8 de junho. Ele se recusou a fazer comentários para esta reportagem.

Caçada por receita

Cidades em todo o Reino Unido estão tentando tapar buracos em seus orçamentos após os cortes nos desembolsos do governo central. Muitos municípios atuam como especuladores imobiliários para tentar manter serviços de coleta de lixo, lares para idosos e outros. Conselhos municipais ? incluindo o de Warrington ? investiram bilhões de libras em imóveis comerciais e residenciais que frequentemente são financiados por um programa do Tesouro que oferece juros baixos por até 45 anos. O movimento levou diversos legisladores de Londres a alertar para a formação de uma bolha de crédito.

Alguns conselhos, como o de Manchester, estão separando dinheiro para emprestar diretamente a empresas. Já Warrington provavelmente é a primeira cidade a testar sua proeza bancária desde que Birmingham fez a mesma tentativa um século atrás. A cidade de origens romanas à beira do Rio Mersey saiu da pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial em melhor estado do que a maioria, mas os empréstimos a pessoa jurídica caíram mais do que a média nacional, recuando 15 por cento nos últimos três anos.

Warrington é um dos sete municípios britânicos com grau de investimento, obtido antes da oferta, dois anos atrás, de 150 milhões de libras esterlinas em títulos com prazo de 40 anos para ajudar a bancar um bilionário plano de investimentos. A maior parte dos desembolsos ? incluindo dinheiro para renovar a região central decadente ? será coberta por créditos de longo prazo obtidos dentro do programa do Tesouro.

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