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Bancos se esquivam e indústria da maconha recorre ao bitcoin

Jennifer Kaplan

(Bloomberg) -- As empresas da indústria da cannabis estão recorrendo à moeda digital mais popular do mundo para tentar se livrar de uma montanha de dinheiro vivo.

A falta de acesso às instituições financeiras tradicionais é um dos maiores obstáculos à indústria da maconha. A cannabis legal era um setor de US$ 6 bilhões no ano passado que deverá atingir US$ 50 bilhões até 2026, segundo a Cowen & Co. Mas como a maconha é ilegal segundo a legislação federal dos EUA, os grandes bancos e as empresas de cartões de crédito mantêm distância. Isto tem forçado a maioria dos vendedores a aceitarem apenas dinheiro, o que representa uma dor de cabeça logística e uma constante ameaça de segurança.

É aí que entra o bitcoin, a moeda criptografada que consiste em moedas digitais "mineradas" por computadores que resolvem problemas matemáticos cada vez mais complexos. Pelo menos duas startups de tecnologia financeira, a POSaBIT e a SinglePoint, estão usando a moeda criptografada como passo intermediário para permitir que os usuários de maconha utilizem seus cartões de crédito emitidos por bancos para comprar a erva.

"Não existe nenhum setor -- seja na produção e venda de cannabis, seja na produção e venda de uma xícara de café -- capaz de operar de forma segura, transparente ou efetiva sem acesso a bancos ou outras instituições financeiras e serviços tradicionais", disse Jon Baugher, cofundador da POSaBIT, cuja tecnologia é usada por 30 dispensários no estado de Washington. "Foi aí que pensamos que poderíamos tirar vantagem do uso da moeda digital."

A Trove Cannabis, uma das lojas de Washington que utilizam POSaBIT, vendeu US$ 3 milhões em maconha no ano passado -- em dinheiro -- e realiza cerca de 3.000 transações por semana. A Trove virou cliente do aplicativo da POSaBIT em fevereiro após seis meses em uma lista de espera, segundo Yin-Ho Lai, fundador e CEO da Trove. Desde então, cerca de 13 por cento dos clientes escolheram pagar com cartões de crédito ou débito, disse Lai, e estas pessoas tendem a gastar mais.

O sistema funciona assim:

Depois que o cliente decide qual produto de maconha comprar um funcionário pergunta se ele gostaria de usar dinheiro ou moeda digital, disse Lai. Se o comprador prefere a segunda opção, o funcionário da Trove explica que o cliente pode usar um cartão de crédito para comprar bitcoins por meio de um quiosque da POSaBIT, com uma taxa de US$ 2 por transação incluída.

O cliente, que agora teria uma quantia em bitcoins equivalente ao valor da compra, pode resgatar a moeda na loja. Outra opção é guardar bitcoins para usar em qualquer outro lugar que aceitar a moeda. Se o cliente decidir finalizar a compra na loja, a POSaBIT, que embolsa a taxa da transação, envia o valor em dólares americanos à conta bancária da Trove.

A POSaBIT afirma que adotou medidas para cumprir as leis federais e estaduais que regulam as vendas de maconha e as moedas digitais. Por exemplo, os clientes precisam apresentar um documento de identidade válido que é escaneado, criptografado e armazenado. Os compradores têm um limite de compra de US$ 150 em bitcoins para evitar lavagem de dinheiro. A companhia também possui um programa de detecção de fraudes de nove pontos desenvolvido para frustrar a ação dos criminosos e exige que seus clientes no varejo tenham uma conta bancária, o que não é necessariamente comum na indústria da cannabis.

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