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Empresário argentino busca sucesso em Israel com US$ 700 mi

Yaacov Benmeleh e Pablo Gonzalez

(Bloomberg) -- Eduardo Elsztain achou que conseguiria ser bem-sucedido onde negociadores como Jared Kushner, Patrick Drahi e Matthew Bronfman não conseguiram: em Israel, a terra de seus sonhos empresariais.

O empresário argentino teve muito sucesso em outros lugares. Em 1990, ele demorou apenas uma hora para convencer George Soros a lhe dar US$ 10 milhões para investir. Ele apostou esse e outros investimentos em uma companhia controladora que em 1997 já havia ganhado cerca de US$ 360 milhões em aquisições. Depois, ele e Soros compraram 25 por cento do maior banco hipotecário estatal da Argentina em uma privatização que acabou rendendo-lhes o controle administrativo.

Mas no estado judeu, ele dedicou cinco anos e quase US$ 700 milhões à tentativa de recuperar a IDB Development, o maior conglomerado de Israel. Não se sabe se ele vai conseguir. Ele precisa vender um ativo fundamental para ajudar a reembolsar US$ 1,5 bilhão aos detentores de dívida nos próximos três anos ? enquanto luta contra as exigências dos órgãos reguladores.

"A maioria das pessoas me disse: 'Cuidado, você vai perder dinheiro em Israel'. Ouvi isso mil vezes", disse Elsztain, 57, durante um café da manhã kosher na sede da Bloomberg em Nova York em abril, e acrescentou que já viu condições piores na Argentina. "Estamos comprometidos com este investimento."

Caso seja bem-sucedido, Elzstain vai contrariar a história recente. Cerca de dez judeus estrangeiros ricos fracassaram em Israel nos últimos anos, seja porque pagaram demais por ativos, entraram em conflito com reguladores e sócios ou porque abandonaram transações.

Muitos desses investidores não entendem que, sem ajuda de parceiros locais, o sucesso deles em seu país natal não se transfere automaticamente a Israel, disse Rafael Gozlan, economista-chefe da Israel Brokerage & Investments, investidora institucional e detentora de títulos da IDB.

Isso é cada vez mais verdade. Nos últimos seis anos, o estado judeu recuou 23 posições no índice do Banco Mundial sobre a facilidade de fazer negócios e ficou em 52º lugar entre 190 países. Um motivo: a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu promulgou diversas leis de proteção ao consumidor desde 2011, quando israelenses protestaram contra o aumento do custo de vida e da desigualdade. A consequência: mais regulamentações para empresas.

Elsztain terá que vender a participação de US$ 470 milhões da IDB na Clal Insurance Enterprises Holdings para respeitar uma lei e reduzir a concentração de empresas. Reguladores israelenses frustraram suas tentativas anteriores de vender a investidores chineses e ordenaram que a IDB venda blocos das ações na bolsa local a cada quatro meses. Elsztain disse que isso provocaria uma perda de 40 por cento no valor de seu investimento. Ele quer mais dois anos para encontrar um comprador.

O Ministério das Finanças de Israel, que administra a venda da Clal, não respondeu a um pedido de comentário.

A IDB ganhou um pouco de tempo no mês passado vendendo 5 por cento da Clal a um investidor, que concordou em revender as ações a Elsztain quando for encontrado um comprador para a participação inteira. A empresa afirmou ter entrado com um recurso contra uma decisão favorável ao cronograma de vendas forçadas no supremo tribunal israelense. A próxima oferta de blocos está agendada para o começo de setembro.

"A empresa já está fora de perigo? Não", disse Yaniv Pagot, diretor de estratégia do Ayalon Group, um investidor institucional em Ramat Gan, Israel, que tem papéis da IDB. "Elsztain investiu muito dinheiro. Ele não faz mágica, mas sem ele a IDB não existiria."

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