Perda de fãs do futebol é problema de 5 bi de libras: Gadfly

Leila Abboud e Elaine He

(Bloomberg) -- Após uma derrota, os gestores do futebol costumam apresentar uma série de desculpas nas entrevistas de TV pós-jogo. Dominar o ritual é uma habilidade fundamental para os melhores técnicos, de José Mourinho a Pep Guardiola.

Nesta temporada, de forma similar, a Sky teve que explicar por que há menos pessoas do que antes assistindo à Premier League inglesa apesar do elevadíssimo custo dos direitos de transmissão. Um dos motivos normalmente apontados é que cada vez mais pessoas estão assistindo a vídeos por meio de smartphones, tablets ou computadores e, portanto, são invisíveis nos dados tradicionais de audiência.

Contudo, uma análise da Bloomberg Gadfly sobre os números de audiência desta temporada na televisão ao vivo e por meio de aplicativos pela internet desmente esse argumento. Simplesmente não há gente suficiente vendo pelo Sky Go, o aplicativo que permite que os assinantes assistam ao serviço de TV paga em qualquer aparelho, para responder pela magnitude dos declínios. De fato, um número relativamente menor de assinantes usou o aplicativo Sky Go para assistir à Premier League nesta temporada, segundo uma análise de novos dados do Conselho de Pesquisa de Audiência das Emissoras do Reino Unido (Barb, na sigla em inglês).

Considerando que uma pessoa tenha assistido em cada aparelho, cerca de 44.000 pessoas em média usaram o aplicativo Sky Go para assistir a cada jogo. O número representa apenas 5 por cento da audiência típica de 897.000 espectadores de cada jogo televisionado pela Sky na última temporada. Os dados não são perfeitos: não é possível monitorar como o uso do Sky Go evoluiu ao longo do tempo porque a Sky só começou a oferecer suas estatísticas de uso para o Barb nesta temporada. A BT Group, que também transmite partidas da Premier League, não fornece nenhum dado sobre a audiência on-line e dos aplicativos.

Faz sentido que muitas pessoas ainda gostem de assistir esportes ao vivo em telas grandes em vez de usar um smartphone. Mas para onde foi o restante dos fãs? Essa é a pergunta de 5 bilhões de libras (US$ 6,3 bilhões). Esse foi o preço que a Sky e a BT tiveram de pagar pelos direitos de TV de 2016 a 2019, um aumento de 70 por cento em relação ao acordo anterior.

As teorias são várias. Talvez seja a pirataria por meio de transmissões ilegais, que são impossíveis de rastrear. Talvez seja o cansaço dos espectadores em um momento em que a liga está adicionando jogos à programação de TV. A temporada 2016-2017 teve 9 por cento mais partidas do que as três anteriores e 20 por cento mais do que em 2012-2013.

Talvez seja porque atualmente existem muito mais opções de entretenimento por aí. A Premier League está competindo pelo nosso tempo com tudo, do Snapchat à última série do Netflix. Os jovens parecem ter menos interesse em esportes, como já comentamos antes.

O mais preocupante é que o futebol ao vivo já não é a atração de TV de antes. Nosso monitoramento dos padrões de audiência desta temporada, e as comparações com as seis temporadas anteriores, apoiam essa tese. Em todas as faixas horárias, e mesmo entre os melhores times, a tendência é de queda.

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