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Em alta, setor de tecnologia do Canadá não pode relaxar

Gerrit De Vynck

(Bloomberg) -- Não faz muito tempo, os empreendedores canadenses do setor de tecnologia tinham uma longa lista de queixas: a escassez de financiamento nos estágios inicial e final, longos prazos de espera para que funcionários estrangeiros obtenham um visto, corporações locais que não compram seus produtos, os melhores e mais brilhantes profissionais fugindo para o Vale do Silício.

Hoje em dia, a maioria desses problemas desapareceu. O governo liberal de Justin Trudeau, ávido para se afirmar como inovador, concedeu aos líderes do setor de tecnologia praticamente tudo o que eles queriam, inclusive a expedição rápida de vistos para trabalhadores do setor e centenas de milhões de dólares em dinheiro de capital de risco e em apoio para a pesquisa sobre inteligência artificial.

O Canadá já desperdiçou sua destreza tecnológica (exemplo: BlackBerry). Desta vez, o segredo é tirar proveito das lições aprendidas para não cometer os mesmos erros de novo.

Primeiro, a notícia boa: As empresas de capital de risco do Vale do Silício já não pensam duas vezes antes de entrar em um avião com destino a Toronto, Waterloo, Montreal ou Vancouver para investir em startups canadenses. Google, Microsoft e Uber Technologies estão montando equipes de pesquisa sobre inteligência artificial no Canadá, invertendo parte da fuga de cérebros neste campo, que poderia se tornar o mais importante da tecnologia.

O investimento do capital de risco em 2016 cresceu 26 por cento em relação ao ano anterior, para 2,9 bilhões de dólares canadenses (US$ 2,2 bilhões). Em 2010, o total foi apenas 900 milhões de dólares canadenses. Gigantes do setor tecnológico dos EUA também estão contratando bastante no Canadá, aproveitando a presença de formados em Ciência da Computação e da relativa facilidade para convocar trabalhadores do Leste Europeu e da Ásia Meridional. A Amazon tem quase 1.000 funcionários só em Vancouver e está contratando centenas de outros no restante do país; o Google abriu um novo escritório no ano passado com capacidade para 1.000 engenheiros em Waterloo, cidade natal da BlackBerry.

Grandes empresas de tecnologia dos EUA também estão fazendo investimentos estratégicos em startups canadenses. A Intel participou de uma rodada de financiamento de US$ 120 milhões para a Thalmic Labs em setembro e a Microsoft investiu na Element AI em dezembro.

A capitalista de risco de Toronto e ex-executiva da eBay Janet Bannister disse que, em apenas uma semana deste mês, recebeu três ligações de investidores dos EUA que desejam se envolver com o Canadá. "Todos os três me abordaram dizendo que queriam conversar sobre minhas empresas e sobre o Canadá porque coisas excelentes estão acontecendo e eles queriam estar envolvidos", disse Bannister, sócia da Real Ventures. "O ecossistema canadense está em um momento incrível, é um ponto de inflexão. Cabe a nós aproveitar."

Mas os veteranos do setor tecnológico canadense não podem fugir dos fantasmas criados pelas implosões da Nortel e da BlackBerry, empresas multibilionárias que eram líderes mundiais e foram vítimas da arrogância e da complacência.

Diz a capitalista de risco Bannister: "Não podemos relaxar".

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