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Robôs administram segmento de fundos de hedge que mais cresce

Dani Burger

(Bloomberg) -- O que andam dizendo é verdade. As estratégias quantitativas nunca foram tão bem de público.

O total de ativos administrados pelos chamados fundos sistemáticos dobrou na última década e atingiu o recorde de US$ 500 neste ano, segundo estimativas do Barclays.

Até certo ponto, a ascensão meteórica é motivada pelos mesmos avanços tecnológicos que causam rupturas em diversos setores.

Computadores mais velozes e dados melhores permitem que gestoras de ativos automatizem habilidades que antes eram reservadas a profissionais lendários do mercado financeiro.

No entanto, com tamanha diversidade de estratégias quantitativas, fica difícil generalizar. Entre as diversas categorias estão investimento em fatores, paridade de risco e futuros administrados, sem falar nos sigilosos fundos caixa preta, como Renaissance Technologies.

Mesmo os operadores tradicionais agora estão armados com técnicas quantitativas, movimentando US$ 55 bilhões em ativos sistemáticos, de acordo com o Barclays.

O que se sabe ao certo é que os fundos que usam processos automatizados de investimento são o segmento que mais cresce no universo de fundos de hedge.

"Historicamente, as gestoras direcionadas por fundamentos capturaram o foco, os fluxos e a glória", afirmou o relatório elaborado pela equipe do Barclays liderada pelo chefe global de soluções de capital, Louis Molinari, e enviado a investidores na sexta-feira. "Mas, nos últimos anos, o interesse ressurgiu por parte de gestoras e investidores."

Sem preferência por empresas específicas, os fundos quantitativos fazem apostas baseadas em padrões e dinâmicas e alcançam uma enorme variedade de instrumentos financeiros. As estratégias quantitativas atualmente representam 17 por cento do total de ativos dos fundos de hedge, de acordo com dados compilados pelo Barclays.

Resumidamente, as estratégias quantitativas de renda variável usam características que comprovadamente entregam retorno superior, como volatilidade baixa ou custo baixo. Esses fundos foram especialmente prejudicados em 2007, quando deslocamentos ocultos no mercado causaram uma reação em cadeia de venda de instrumentos por fundos programados. Esses fundos finalmente ultrapassaram o nível em que estavam antes daquele evento e, no ano passado, o total de ativos sob gestão bateu recorde, em US$ 152 bilhões, segundo o Barclays.

A estratégia quantitativa mais popular entre os fundos de hedge envolve futuros administrados. O objetivo é capturar tendências amplas em diferentes classes de ativos e concretizar essas apostas por meio da negociação de contratos futuros. O total de ativos nessa categoria está próximo de US$ 200 bilhões, segundo dados do banco britânico.

No segmento focado em renda variável, diversificação é a ordem do dia.

Pela primeira vez, a maior parte do dinheiro dos investidores está com gestoras de perfil quantitativo que negociam pelo menos 500 instrumentos financeiros, de acordo com dados compilados pela Sanford C. Bernstein. Sua parcela do total de ativos sistemáticos de renda variável chega a 32 por cento, comparado a 1,1 por cento no caso dos fundos com menos de 40 instrumentos.

Diante das taxas de retorno anêmicas de toda a indústria de fundos de hedge, os poucos fundos de perfil quantitativo que entregam desempenho excepcional chamam a atenção dos investidores. A Quantitative Investment Management administra um fundo de ações com US$ 1,2 bilhão que gerou retorno de 55 por cento de janeiro a maio deste ano. O fundo de ações da Renaissance Technologies avançou 13,7 por cento no período. Já o S&P 500 subiu 5,3 por cento.

No entanto, o desempenho do fundo quantitativo médio não foi tão melhor. De modo agregado, os 1.070 fundos quantitativos que relatam dados à eVestment registraram desempenho 1 por cento abaixo da referência desde março de 2016 e estão com pouca variação neste ano.

Dito isso, as taxas de retorno diferem, dependendo do horizonte de tempo, da classe de ativos e da estratégia geral adotada por cada um.

Título em inglês: Rise of Robots: Inside the World's Fastest Growing Hedge Funds

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