Próximo ataque WannaCry pode custar US$ 2,5 bi às seguradoras

Oliver Suess

(Bloomberg) -- As empresas que oferecem seguros contra crimes cibernéticos não tiveram que pagar resgates caros nos ataques que recentemente abalaram empresas em todo o planeta. O próximo vírus mundial poderia mudar isso.

"É muito provável que vejamos nos próximos meses um incidente que afetará seriamente as seguradoras", disse Graeme Newman, diretor de inovação da CFC Underwriting, em uma entrevista. "Bastaria algo com o amplo alcance do WannaCry e a força destrutiva do Petya para custar às seguradoras que oferecem cobertura contra hackers cerca de US$ 2,5 bilhões, o equivalente a um ano inteiro de renda bruta no mercado."

A Reckitt Benckiser Group reduziu sua projeção de vendas no ano cheio na quinta-feira, depois que um ataque cibernético global no mês passado interrompeu a produção e a distribuição da Air Wick, fabricante de purificadores de ar, e da Dettol, de produtos de limpeza. Esta foi a primeira indicação detalhada do impacto financeiro sofrido por uma grande empresa. A gigante dinamarquesa da navegação A.P. Moller-Maersk, que precisou desativar sistemas de suas operações para conter o ataque, afirmou que ainda é cedo para prever o impacto sobre seus resultados.

Os hackers podem aprender a desenvolver ferramentas ainda mais perigosas após ataques como o do vírus WannaCry, em maio, e o ataque Petya, que causou estragos na Europa em junho ao congelar o acesso a computadores e possibilitar que os atacantes exigissem resgate para desbloquear os sistemas. Esses acontecimentos não resultaram em demandas de seguro significativas porque não afetaram muitas empresas nos EUA, onde atualmente se localiza mais de 90 por cento do mercado de seguro cibernético, disse Newman.

Mercado em crescimento

A CFC subscreve cerca de US$ 100 milhões em prêmios de seguro cibernético, é uma das maiores vendedoras desse produto na Europa e oferece a cobertura desde 2000. Por ser um agente geral administrador financiado pela Lloyd's of London, a empresa subscreve em nome de outras seguradoras. O mercado global de seguro cibernético cresceu para cerca de US$ 3,4 bilhões em prêmios no ano passado e pode chegar a ficar entre US$ 8,5 bilhões e US$ 10 bilhões até 2020, segundo estimativas da resseguradora Munich Re. A CFC viu seus prêmios no mercado subirem em mais de 60 por cento no ano passado e Newman projeta um crescimento semelhante neste ano.

"Mais cedo ou mais tarde veremos uma demanda de seguros cibernéticos de um bilhão de dólares e o mercado de seguros está bem posicionado para absorver isso", disse Thomas Seidl, analista da Sanford C. Bernstein em Londres. "Todo mundo está exposto a riscos cibernéticos e nem as melhores precauções podem eliminá-los, por isso há uma forte demanda pelos seguros e a cobertura contra os ataques cibernéticos é, de longe, a maior oportunidade nos próximos anos para as companhias que não oferecem seguro de vida."

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