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Paul Singer obriga o cordato Warren Buffett a ceder ou revidar

Sridhar Natarajan e Katherine Chiglinsky

(Bloomberg) -- Warren Buffett odeia entrar em briga. Paul Singer vive para isso.

Agora, os dois bilionários se cruzam na disputa por uma cobiçada distribuidora de eletricidade do Estado americano do Texas. A holding de Buffett, Berkshire Hathaway, fez um acordo pela Oncor Electric Delivery que encerraria a maior recuperação judicial da década. Mas o fundo de hedge de Singer, Elliott Management, se colocou veementemente contra os termos da oferta da Berkshire, de US$ 18 bilhões.

O embate colocou Buffett em uma situação que ele prefere evitar. O megainvestidor de 86 anos é famoso pela postura amigável para conseguir aquisições históricas. Agora, ele tem de escolher entre melhorar a proposta para agradar a um fundo de hedge (algo que raramente faz), comprar uma briga ou desistir do negócio.

Singer tem bala na agulha. O fundo dele é atualmente o maior credor da controladora falida da Oncor, tendo acumulado US$ 2,9 bilhões em dívidas da Energy Future Holdings nos últimos meses. Com isso, pode acabar com um acordo que, a seu ver, não é suficiente para cobrir essas dívidas. E a equipe beligerante da Elliott já está pronta para pegar em armas se Buffett decidir seguir com sua oferta.

"Se a Berkshire Hathaway está disposta a oferecer mais dinheiro eu não faço ideia", disse o presidente da Oncor, Bob Shapard. "Será que a Berkshire vai se manter firme em sua proposta e forçar a Elliott a provar que pode obter uma oferta maior ou vão negociar?"

A Berkshire não respondeu ao pedido de comentário da reportagem. A Elliott se recusou a comentar.

Aposta fracassada

A venda da Oncor seria o último passo para encerrar o período de três anos de recuperação judicial da controladora Energy Future, antes chamada TXU. O capital da companhia elétrica foi fechado há uma década, em uma aquisição com alavancagem recorde orquestrada por KKR, TPG Capital e Goldman Sachs Capital Partners. Quando o preço do gás natural desabou, a aposta logo fracassou e se tornou símbolo do pecado da gula por dívidas no período pré-crise.

A proposta da Berkshire requer aprovação do tribunal de falências responsável pelo caso. A Elliott ainda não anunciou uma oferta para comprar a companhia, mas apresentou um documento preliminar que avalia a mesma por US$ 300 milhões a mais do que Buffett ofereceu.

Buffett já desistiu de lances que encontraram resistência. Neste ano, Berkshire e 3G Capital concordaram em desembolsar US$ 15 bilhões cada para apoiar a Kraft Heinz em sua tentativa de compra da Unilever, contanto que fosse um acordo "amigável", conforme declarou Buffett durante assembleia anual em maio. Quando a Unilever afirmou que a oferta subvalorizava a empresa, o bilionário e seus sócios desistiram do negócio.

Apesar da personalidade amena, ele às vezes causa tumulto. Em 2011, a Berkshire tentou azedar um acordo, ao fazer uma oferta não solicitada de US$ 3,25 bilhões pela Transatlantic Holdings, que já havia aceitado a proposta de compra de outra resseguradora.

"Há muitos exemplos de Warren Buffett fazendo as coisas de modo diferente do que ele mesmo se descreve", disse Meyer Shields, analista da Keefe, Bruyette & Woods. "Ele faz o que pode para ganhar dinheiro para si e para seus acionistas."

Já a Elliott se meteu nas brigas mais acirradas de recuperação judicial dos últimos anos, envolvendo a defunta empresa de telecomunicação Nortel Networks, a operadora de cassinos Caesars Entertainment e a produtora de carvão Peabody Energy.
Sua disputa com o governo argentino durou quase 15 anos e deu ao fundo de hedge a fama de agir para vencer a qualquer custo.

--Com a colaboração de Scott Deveau Jodi Xu Klein Ryan Collins Jim Polson e Steven Church

Versão em português: Patricia Xavier em Sao Paulo, pbernardino1@bloomberg.net.

Repórteres da matéria original: Sridhar Natarajan em N York, snatarajan15@bloomberg.net, Katherine Chiglinsky em N York, kchiglinsky@bloomberg.net.

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