Gestor de US$ 3,3 bi supera resto do mercado ignorando ETFs

Selcuk Gokoluk

(Bloomberg) -- Quando Robert Marshall-Lee passou a administrar um fundo de ações de mercados emergentes há seis anos, ele decidiu que a única forma de enfrentar a ascensão das estratégias passivas de investimento era ignorá-las.

Enquanto seus pares tentavam superar as referências, o gestor de recursos do Bank of New York Mellon identificou aproximadamente 50 companhias bem administradas e que valeriam a pena no longo prazo. Deu certo. Segundo a firma de pesquisas Morningstar, ele entregou retorno anual de 12 por cento nos últimos cinco anos e passou por cima de todos os concorrentes ? humanos ou robôs.

"A concorrência com fundos negociados em bolsa nem passa pela minha cabeça", disse Marshall-Lee, que trabalha com investimentos há 22 anos. Seu fundo de melhor desempenho, o Newton Global Emerging Fund, faz parte da carteira de 2,6 bilhões de libras esterlinas (US$ 3,3 bilhões) que ele administra a partir de Londres. "Quem acompanha o índice acaba detendo muitas empresas indesejáveis."

Contrastando com a tendência observada em países avançados, Marshall-Lee é a regra e não a exceção nos países em desenvolvimento. Desde 2012, investidores de perfil ativo como ele e que têm fundos sediados na Europa entregaram desempenho superior ao dos fundos negociados em bolsa (ETF) em 60 por cento do tempo nesses mercados, comparado a apenas 20 por cento nos EUA, de acordo com a Morningstar.

Os números vão de encontro com a opinião de muitos investidores influentes, como Warren Buffett, de que fundos que acompanham índices sempre serão melhores ao longo do tempo pelo simples fato de custarem menos. No entanto, escolher ações entre as componentes do Standard & Poor's 500 é uma tarefa completamente diferente de navegar mais de duas dezenas de mercados emergentes, onde os dados podem ser escassos e reviravoltas políticas frequentemente pegam os investidores de surpresa. Algumas ações de países em desenvolvimento sequer são negociadas todo dia.

Ações dominantes

Marshall-Lee aposta alto em poucas empresas. Entre suas principais posições estão a gigante africana de mídia Naspers, a seguradora de Hong Kong AIA Group, a Taiwan Semiconductor Manufacturing e a Indiabulls Housing Finance. Ele mantém distância de estatais de grande porte.

Já o acompanhamento de índices frequentemente deixa investidores vulneráveis ao desempenho de um punhado de ações dominantes: a Samsung Electronics representa 22 por cento do mercado na Coreia do Sul, os dois maiores bancos brasileiros representam um quinto do Ibovespa e apenas três companhias respondem por 41 por cento do principal índice acionário da Polônia.

Bons gestores

Ainda assim, entra dinheiro nas dezenas de ETFs que acompanham índices em países em desenvolvimento, incluindo Vanguard Emerging Markets Stock Fund e iShares MSCI Emerging
Markets ETF. Desde janeiro, houve entrada líquida nesses instrumentos de US$ 20 bilhões, cinco vezes mais do que o influxo para gestores de perfil ativo e mais que o dobro do volume que entrou no ano passado, segundo dados da Morningstar.

Em se tratando de retorno, no entanto, os ETFs ficaram em desvantagem, produzindo retorno médio anual de 3,6 por cento nos últimos cinco anos. Os gestores de perfil ativo geraram 4,1 por cento nesses mercados, após taxas de administração.

"Se encontrar um bom gestor, é provável que você consiga superar a referência", disse Daryl Liew, assessor de investimentos para grandes fortunas na divisão da Reyl & Cie em Cingapura. Ele aconselha seus clientes a utilizar fundos de índices nos países avançados e gestores de perfil ativo nos países emergentes. "O desafio é encontrar um bom gestor", ele disse.

Versão em português: Patricia Xavier em Sao Paulo, pbernardino1@bloomberg.net.

Repórter da matéria original: Selcuk Gokoluk em London, sgokoluk@bloomberg.net.

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