China gasta bilhões para conquistar mundo do futebol

Tariq Panja

(Bloomberg) -- Faz apenas cinco anos que Mads Davidsen chegou na China para trabalhar como treinador de futebol infantil. Agora, o dinamarquês de 34 anos se vê ajudando a administrar uma das equipes mais valiosas da Super Liga Chinesa.

A enorme velocidade das mudanças na China chegou ao esporte mais popular do mundo. As mudanças transformaram estrangeiros como Davidsen em pioneiros acidentais, que estão ajudando a criar uma nova e impressionante indústria esportiva que valerá US$ 740 bilhões em 2025, apoiada por uma abordagem frontal ao futebol.

O clube de Davidsen, o Shanghai SIPG, não existia em sua forma atual até pouco mais de três anos atrás. Mas quase da noite para o dia, as equipes renasceram com recursos que rivalizam até mesmo com os dos times da Premier League, que são financiados por xeques árabes e oligarcas russos. Com a temporada atual a pleno vapor, atualmente ele supervisiona todo o desenvolvimento futebolístico de uma equipe com jogadores como o meio-campista brasileiro Oscar, cuja transferência de 60 milhões de euros (US$ 67 milhões) é a importação mais cara do projeto chinês até o momento.

"Não estou exagerando, estávamos sentados com os caras criando o clube, literalmente com uma caneta, dizendo: 'De quantas bolas você precisa, de quantos cones você precisa'", disse Davidsen, cujo último trabalho na Dinamarca foi treinar um dos principais times de base do país. "Eles literalmente não sabiam nada, mas estavam dispostos a aprender e a investir."

Antes de o governo do presidente Xi Jinping publicar o documento n° 46, que transformou o esporte em parte do plano econômico da China, o futebol doméstico era deixado em grande parte em segundo plano. A meta, com o apoio dos maiores homens de negócios e empresas estatais do país, é construir uma liga capaz de competir com as maiores rivais em tamanho e riqueza e produzir uma seleção nacional para disputar uma Copa do Mundo.

Essa ambição elevada é muito superior a qualquer esforço anterior de países com pouco ou nenhum pedigree no futebol. Apesar de a North American Soccer League ter saído do papel na década de 1970, ela terminou em uma década. A segunda tentativa dos EUA, a Major League Soccer, levou 20 anos para ganhar força. O Japão também tentou, mas nenhum esforço teve o poder de fogo financeiro da China.

Para Xi, o futebol agora é parte integrante da transformação da China em uma potência global, disse Liu Dongfeng, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade do Esporte em Xangai. "Essa é a ideia dele para tornar a China grande", disse ele. "O futebol não é necessariamente o meio para esse fim, mas pelo menos o futebol deve igualar esse status. É muito difícil encontrar a palavra correta para descrever isso -- é algo enorme. Não existe um paralelo."

Davidsen calcula que demorará uma geração para que a China possa colher os resultados de campo de seu enorme experimento no futebol. Ele está empenhado em permanecer enquanto o projeto mantiver o ritmo.
Para acelerar o desenvolvimento, o Shanghai enviou uma equipe completa de jogadores sub-18 e seus treinadores para jogar uma temporada no Brasil. No início do mês, a federação alemã de futebol afirmou que poderia convidar a seleção nacional sub-20 da China para disputar uma de suas ligas inferiores.

"Estamos todos aqui por causa do projeto", disse Davidsen. "Sim, sou pago pelo SIPG, mas por que o SIPG está nesta indústria? Por causa do projeto."

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