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Motoristas idosos provocam acidentes nas ruas do Japão

Gareth Allan e Kanoko Matsuyama

(Bloomberg) -- Nas últimas semanas, motoristas japoneses idosos vêm causando estragos no país: eles subiram em canteiros e entraram na contramão, atropelaram pedestres que atravessavam a rua e bateram em outros carros. Em todos os casos, alguém morreu.

Como a população do Japão continua envelhecendo - o que significa que aumenta o número de idosos ao volante -, o problema só vai piorar. Motoristas de 75 anos ou mais estiveram ligados a 459 acidentes fatais no ano passado, 13 por cento do total no Japão, frente a 7,4 por cento dez anos atrás, mostram dados da Agência Nacional de Polícia. Deter essa carnificina nas ruas é um "problema urgente", afirmou a agência em um comunicado.

"Prevenir os acidentes de carro causados por mudanças na condição física dos motoristas é um assunto urgente que precisa ser abordado", escreveu Mineko Baba, do Centro Integrado de Pesquisa Médica da Universidade Keio, em um relatório de pesquisa no ano passado. "As leis e a sociedade não estão atualizados em relação ao rápido crescimento do número de pacientes de demência."

Atualmente, um quarto dos japoneses tem 65 anos ou mais, e projeta-se que essa proporção será de 38 por cento daqui a 50 anos.

Iniciativas

O governo está intensificando os esforços para tirar os idosos mais perigosos da rua. Mudanças legislativas que entraram em vigor em março exigem que os motoristas com mais de 75 anos façam um teste cognitivo para renovar a carteira ou caso cometam infrações, como furar um sinal vermelho ou trocar para a faixa errada. Os reprovados deverão fazer um exame médico. Se também não passarem, perderão a carteira. Até 15.000 carteiras por ano podem ser revocadas à força, projeta a Agência Nacional de Polícia.

Apesar da carnificina provocada pelos idosos japoneses, o número de mortes no trânsito do Japão vem caindo há anos e foi o menor em 67 anos, 3.904, em 2016, mostram dados da polícia. Como resultado, a porcentagem de casos com motoristas idosos quase dobrou.

Deixar de dirigir pode ser duro para quem mora longe do transporte público ou é o único motorista da família. Às vezes, os idosos superestimam suas próprias capacidades cognitivas, segundo os pesquisadores. Trata-se também de uma questão de independência, de abrir mão da liberdade pessoal e se adaptar à velhice.

Takao Inui, um idoso que mora no distrito Shibuya de Tóquio e dirige um Suzuki Cruze, disse que usa o carro mais ou menos uma vez por semana, para fazer compras ou levar sua esposa a algum lugar, e não pretende deixar de dirigir talvez por três anos. Apesar da disponibilidade de transporte público próximo, ele prefere dirigir.

"Sei que com 77 anos, as coisas estão começando a ficar perigosas, por isso tomo muito cuidado ao dirigir", disse ele. "Se eu ficasse doente ou acontecesse algo assustador, eu teria que pensar nisso - embora talvez já fosse tarde demais."

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