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Executivos bancários trocam salários altos por moedas digitais

Lulu Yilun Chen e Camila Russo

(Bloomberg) -- Richard Liu deixou de lado neste mês um salário de sete dígitos para participar de um dos instrumentos financeiros mais populares do momento: ofertas iniciais de moedas (ICO, na sigla em inglês). O ex-negociador da China Renaissance desde então financiou uma série de vendas de criptomoedas que arrecadaram milhões -- às vezes em segundos -- muitas vezes sem nenhum produto.

De Hong Kong e Pequim até Londres, financistas bem-sucedidos estão abandonando carreiras lucrativas para mergulhar no mundo obscuro dos ICO, uma forma de ganhar dinheiro rapidamente vendendo tokens digitais para investidores, sem bancos nem órgãos reguladores. Excluída da ação, uma crescente coorte de profissionais bancários está aplicando seus talentos para comprar ou vender criptomoedas.

Eles estão fascinados. Para Liu, que organizou algumas das maiores transações no setor de tecnologia da China no trabalho antigo, a possibilidade de moldar esse espaço nascente supera os perigos de uma queda do mercado ou de uma repressão. Ligeiramente parecidos com os IPOs, os ICOs arrecadaram milhões de investidores esperançosos de poder obter desde o início o próximo bitcoin ou ether, e o crescimento sem controle dos últimos 12 meses é tamanho que eles já foram comparados com o primeiro boom malsucedido das pontocom. Contudo, como as bonificações estratosféricas já são, em grande medida, coisas do passado, o atrativo de um novo cenário incandescente, longe da burocracia financeira, foi irresistível para alguns.

"Bancos de investimento e investidores de capital de risco tradicionais precisam monitorar este espaço com atenção, ele poderia ficar muito grande", disse o sócio de 30 anos do FBG Capital, um hedge fund de US$ 50 milhões que financiou cerca de 20 ICO. Ele começou rapidamente com a maior venda deste ano: a Tezos, uma plataforma de contratos inteligentes que arrecadou US$ 200 milhões e superou a média de tamanho das aberturas em Hong Kong deste ano, de cerca de US$ 31 milhões.

Críticas

Os críticos dizem que muitos ICO são baseados apenas em pouco mais do que em imaginações hiperativas. Uma mistura entre crowdfunding e IPO, eles envolvem a venda de moedas virtuais baseadas principalmente no blockchain do ethereum, semelhante à tecnologia que sustenta o bitcoin. Mas, ao contrário de um IPO, em que os compradores recebem ações, apoiar o ICO de uma startup garante tokens virtuais -- algo assim como minimoedas criptografadas -- exclusivos da empresa emissora ou de sua rede. Ou seja, eles só se valorizam se o negócio ou a rede da startup demonstrar sua viabilidade, atraindo mais pessoas e aumentando a liquidez.

Pelo menos 90 ICOs foram realizados neste ano e levantaram mais de US$ 1 bilhão com base em propostas que abrangem de wi-fi gratuito compartilhado até software de trading sem nenhuma linha de codificação. O fenômeno já superou as primeiras etapas de financiamento com capital de risco. Em maio, com pouco mais do que uma explicação sobre o navegador com poucos anúncios projetado por ela, a Brave Software de Brendan Eich conseguiu US$ 35 milhões para sua venda de Basic Attention Token em menos de um minuto.

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