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Exterior dá a empresas dos EUA o melhor desempenho desde 2004

Jack Kaskey

(Bloomberg) -- A demanda no exterior está por trás da melhor temporada de balanços trimestrais nos EUA em 13 anos. Executivos de companhias como Dow Chemical e Morgan Stanley citaram o aumento das vendas das operações internacionais, em uma dinâmica que deve embalar os ganhos também no segundo semestre.

Praticamente todas as economias de categoria global estão crescendo. Assim, mais de três quartos das componentes do Standard & Poor's 500 superaram as estimativas para os lucros no segundo trimestre. Em todos os setores, pelo menos metade das empresas ultrapassou ou atendeu expectativas. Muitas foram ajudadas pela acentuada desvalorização do dólar.

"O crescimento foi particularmente forte nas principais regiões da América do Norte e Europa, onde o ritmo de vendas foi o dobro do PIB, assim como na Ásia-Pacífico", afirmou o presidente da Dow,
Andrew Liveris, durante a teleconferência para discutir o lucro trimestral de US$ 1,3 bilhão, que ficou acima do previsto pelos analistas.

Embora a Europa tenha garantido a firmeza dos resultados nos três primeiros meses do ano, foram os mercados emergentes que puxaram as vendas entre abril e junho, explicou Jill Carey Hall, estrategista de renda variável nos EUA do Bank of America. Companhias americanas que geram bastante receita no exterior superaram as estimativas para faturamento e lucros com o dobro da frequência das empresas com foco doméstico, ela disse.

"Para as multinacionais, a novidade não foi só que as operações nos EUA vão bem, mas que, em alguns casos, as operações no exterior vão ainda melhor", afirmou Mark Luschini, que ajuda a administrar US$ 74 bilhões como diretor de investimentos da Janney Montgomery Scott. Segundo ele, as componentes do S&P 500 geram 44 por cento da receita fora dos EUA.

A depreciação do dólar também beneficiou empresas como a Kellogg, que entregou resultado acima do esperado e avisou que a redução no lucro provocada pelas taxas de câmbio em 2017 será metade do que se pensava antes. O dólar perdeu 6,4 por cento em relação a uma cesta de moedas de peso no primeiro semestre de 2017.

O dólar se desvaloriza em parte porque a agenda econômica do presidente Donald Trump está estacionada, especialmente a reforma tributária, disse Walter Hellwig, diretor sênior da BB&T Wealth Management, que ajuda a administrar US$ 17 bilhões. O enfraquecimento do dólar impulsiona as receitas geradas no exterior ao tornar as exportações americanas mais baratas e ao aumentar o valor em dólar das vendas fora do país.

Das 451 componentes do S&P 500 que já divulgaram o balanço do segundo trimestre, 68 por cento superaram a estimativa média dos analistas para receita e 78 por cento ultrapassaram a expectativa de lucro por ação, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Na média, os lucros avançaram 9,7 por cento e as vendas, 5,5 por cento.

A tendência é que o trimestre registre o maior número em 13 anos de componentes do S&P 500 que surpreendem positivamente em termos de faturamento, de acordo com relatório de estrategistas de renda variável do Bank of America distribuído em 7 de agosto. O nível de superação das projeções de lucro também é o maior desde 2004, segundo eles.

Uma anomalia gritante é que as empresas que superam as estimativas de vendas e lucro não estão sendo recompensadas imediatamente com a valorização de suas ações, ressaltou Hall, do Bank of America.

Segundo ela, é a primeira vez que isso ocorre desde o segundo trimestre de 2000 ? logo antes do estouro da bolha das ações de internet.

Para a estrategista, isso provavelmente indica que os múltiplos das ações já estavam esticados antes da temporada de balanços ? e não que os ganhos no mercado acionário terminaram. O Dow Jones Industrial Average passou dos 21.000 pontos e o S&P 500 passou dos 2.400 pontos pela primeira vez no trimestre passado.


--Com a colaboração de Jared S. Hopkins

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