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Gordura trans está (quase) eliminada. Conheça as alternativas

Deena Shanker

(Bloomberg) -- Os óleos parcialmente hidrogenados, principal fonte de gordura trans artificial e um pilar invisível da indústria alimentícia dos EUA há décadas, estão finalmente sendo eliminados e dando lugar a alternativas mais saudáveis.

A mudança está em andamento há tempos. Pesquisas mostrando os perigos da gordura trans, que aumenta o risco de doenças cardíacas e acidente vascular cerebral, se solidificaram com um grande estudo publicado em 1990 e ficaram mais fortes com cada uma das sucessivas pesquisas, o que forçou as fabricantes de alimentos a começarem a busca por alternativas. De 2006 a 2008, segundo uma estimativa, a quantidade de óleos parcialmente hidrogenados (OPHs) nos alimentos na América do Norte foi reduzida pela metade. Em 2015, a Grocery Manufacturers Association informou que a gordura trans havia sido reduzida em 85 por cento. Naquele ano, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) anunciou que as fabricantes de alimentos tinham três anos para remover completamente os óleos de seus produtos.

Os OPHs vêm em muitas formas e têm uma série de funções ocultas. Eles podem estar presentes na fritadeira de uma rede nacional de fast-food ou naquele seu produto assado e embalado preferido -- você sabe, aqueles que parecem tão frescos hoje quanto quando foram comprados, três anos atrás. Eles apareceram em produtos lácteos, barras de cereais e pipoca de micro-ondas. A substituição deles exige uma mistura de óleos líquidos e gorduras sólidas, além de colaboração entre os produtores de óleo, o setor de fast-food e produtores de alimentos embalados.

Os consumidores provavelmente não conseguirão distinguir a diferença quando experimentarem a nova geração de produtos sem OPHs. De fato, muitos já os consomem há anos. Nutricionalmente, todos representam uma melhoria em relação ao óleo de soja parcialmente hidrogenado padrão. Os produtores promovem seu alto teor de "gorduras boas" (também conhecidas como gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas) e os baixos níveis de "gorduras ruins" (gorduras trans e saturadas). Os ácidos graxos ômega 9, ou ácidos oleicos, tornam o óleo mais estável e saudável (o elevado teor de ácido oleico do azeite de oliva é uma das razões pelas quais ele é considerado o padrão-ouro dos óleos saudáveis). No entanto, esses óleos pecam em pelo menos um aspecto: como todos os novos óleos são líquidos, para cozinhar com eles é necessário adicionar outras gorduras sólidas. Nestes casos, o azeite de dendê, um ingrediente associado a impactos ambientais negativos, é muitas vezes a gordura sólida escolhida.

O óleo de canola ômega 9 sem modificações genéticas da Dow AgroSciences, empresa do grupo Dow Chemical, tem níveis ainda mais baixos de gorduras saturadas do que o azeite de oliva e aproximadamente o mesmo nível de ômega 9. "Este óleo cumpre com tudo", disse Dave Dzisiak, líder global de negócios de óleos e grãos da empresa. O óleo também tem um sabor mais limpo e leve, disse ele. Atualmente, está sendo usado pelas principais redes de serviços alimentícios nacionais e regionais dos EUA e também por fabricantes de salgadinhos, segundo a empresa.

Para quem espera que o novo mundo livre de gordura trans permita que comam toda a batata frita que quiserem, Keri Gans, uma nutricionista com registro em Nova York, tem más notícias. "Se uma empresa mudou seu óleo para um tipo mais saudável", disse ela, "isso não quer dizer que o produto passará a ser bom para você".

As antigas regras da dieta continuam valendo. "Esteja atento à quantidade de batata frita que você consome", advertiu Gans.

Para entrar em contato com o repórter: Deena Shanker em New York, dshanker@bloomberg.net.

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