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Setor privado vai a campo nos EUA para comprovar queda dos grãos

Jeff Wilson e Megan Durisin

(Bloomberg) -- Para determinar se o colapso inesperado dos preços do milho e da soja neste mês foi justificado, pessoas como Chip Nellinger terão que sujar as mãos.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) -- usando pesquisas com agricultores e algumas amostras de campo -- sacudiu os mercados de grãos na semana passada ao prever colheitas e rendimentos norte-americanos maiores do que quase todas as projeções feitas por analistas, apesar de o clima incomum ter prejudicado as condições de cultivo desde junho. Os futuros do milho atingiram o menor patamar em 10 meses, a soja chegou ao menor nível em semanas e o trigo entrou em um bear market.

Agora, traders, produtores rurais e gerentes de recursos de lugares distantes dos EUA, como China e Brasil, se preparam para ver a situação com seus próprios olhos. Na semana que vem, cerca de 150 participantes da 25ª edição anual do Farm Journal Midwest Crop Tour percorrerão sete estados para medir espigas de milho e vagens de soja com suas próprias mãos em milhares de campos. Esse é o maior contingente da história da turnê e sinaliza a ansiedade do mercado em determinar a oferta dos EUA, o maior produtor do mundo.

As descobertas do tour diário "serão muito importantes neste ano, especialmente por causa de toda a incerteza", disse Nellinger, presidente da Blue Reef Agri-Marketing em Morton, Illinois, nos EUA, que participa pela primeira vez. "Se a turnê agrícola começar a indicar que o USDA pode ter muito espaço para rendimentos futuros menores do milho, acho que isso provocará alguma volatilidade extra. A luta continua."

Os grãos estão imersos em uma queda de vários anos em meio ao aumento dos estoques globais. Os traders esperavam a redução do excedente porque em algumas áreas importantes de produção dos EUA houve fortes chuvas durante o período de plantio, seguidas de calor e estiagem mais tarde. As classificações de condições do USDA para o milho e a soja do país, suas duas maiores produções, apresentam os menores patamares em cinco anos para essa época do ano.

Mas em 10 de agosto o USDA projetou um rendimento para o milho de 169,5 bushels por acre, o terceiro maior da história, e afirmou que a produção de soja também será recorde. Parte disso pode ser um reflexo dos rendimentos recorde esperados em alguns estados produtores periféricos, como Pensilvânia e Mississippi.

Mas a grande parte da área de milho e soja está no Centro-Oeste. As rotas do tour passarão por Dakota do Sul, Nebraska, Iowa, Minnesota, Illinois, Indiana e Ohio e os participantes deverão tirar amostras de quase tantos campos quanto os medidos pelo USDA no fim de julho e no início de agosto nos 10 principais estados para coletar suas últimas estimativas. Para sua projeção de setembro, o departamento dobrará o número de campos incluídos.

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