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Em meio a edifícios inacabados, eleição marca nova era em Angola

Henrique Almeida e Candido Mendes

(Bloomberg) -- Em torno da baía em forma de ferradura de Luanda, a capital de Angola, arranha-céus inacabados são um testemunho dos desafios enfrentados pela segunda maior produtora de petróleo da África, que se prepara para sua primeira mudança de governo em quase quatro décadas.

Antes da crise do petróleo, centenas de navios porta-contêineres aguardavam próximo ao litoral pontilhado de palmeiras para descarregar produtos no porto. Hoje, vê-se apenas um punhado de embarcações. Nos arredores da capital, comunidades fechadas construídas para trabalhadores estrangeiros e para uma classe média que nunca surgiu estão praticamente vazias.

"Aonde foram todos os navios?", disse Matias Joaquim, dono de um pequeno restaurante na favela de Sambizanga, um labirinto de cabanas em um morro com vista para o porto de Luanda. "Se os ricos não estão bem, imagine os pobres."

Desaceleração econômica

Angola realizará eleições na quarta-feira em um momento em que o presidente José Eduardo dos Santos, de 74 anos, se prepara para deixar o poder após 38 anos. Seu sucessor, quase certamente do mesmo partido, enfrentará o desafio de reverter a pior desaceleração econômica registrada desde que o país emergiu da guerra civil, em 2002. A saída de Santos marca uma nova era na política angolana, mas a mudança de liderança não necessariamente amenizará a crise econômica, segundo Manuel Alves da Rocha, economista-chefe da Universidade Católica de Angola, em Luanda.

"Trocar o presidente é algo que poderia parecer impensável há alguns anos", disse Rocha, em entrevista. "A parte difícil após a eleição é corrigir a economia, que continua movida a petróleo."

Santos recebe o crédito por ter transformado Angola em um importante produtor de petróleo e por comandar projetos de infraestrutura chamativos. Alguns integrantes de sua família fizeram fortunas enquanto um terço da população ainda vive com menos de US$ 2 por dia, segundo o Banco Mundial. Sua filha mais velha, Isabel, é a mulher mais rica da África, com um patrimônio estimado em US$ 2,3 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que governa o país do sul da África desde a independência de Portugal, em 1975, escolheu o ministro da Defesa, João Lourenço, como candidato presidencial. O partido enfrenta uma oposição dividida e com poucos recursos, formada pelo antigo grupo rebelde União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) e pela Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coalizão Eleitoral (Casa-CE).

"O MPLA vencerá as eleições", disse Alex Vines, diretor do programa africano do centro de políticas Chatham House, com sede em Londres. "A questão será o tamanho da maioria."

Santos, que continuará sendo presidente do MPLA até 2018, pelo menos, provavelmente continuará exercendo influência mesmo depois de deixar o cargo, segundo Isaias Samakuva, de 71 anos, presidente da Unita, que abandonou a luta armada em 2002. A Unita tem ameaçado realizar manifestações se considerar a eleição injusta, mas rejeitou o retorno ao conflito armado.

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