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Mueller ignora Trump e usa manual clássico de investigação

Chris Strohm

(Bloomberg) -- O ex-diretor do FBI que investiga os possíveis laços da campanha de Donald Trump à presidência dos EUA com a Rússia está seguindo o manual usado há décadas pelos promotores federais norte-americanos em investigações que vão de crimes de colarinho branco a extorsão:

Siga o dinheiro. Comece com algo pequeno e amplie. Veja quem pode "mudar de lado" e testemunhar contra os peixes gordos buscando acusações por evasão de impostos, lavagem de dinheiro, conspiração e obstrução da justiça.

O conselheiro especial Robert Mueller -- ele próprio um promotor veterano -- montou uma equipe de 16 advogados com experiência em processos criminais complexos para investigar a intromissão russa na campanha presidencial do ano passado.

Eles até realizaram uma operação dramática em uma manhã no fim de julho na casa do ex-chefe de campanha do presidente Donald Trump, Paul Manafort -- uma clássica tática de choque que lembra as operações usadas pelo FBI contra quatro hedge funds em uma investigação de insider trading em 2010, e antes disso contra mafiosos como John Gotti, chefe da família criminosa Gambino, em Nova York.

"Sempre procuramos pessoas de dentro para testemunhar sobre o que está acontecendo", disse o ex-promotor Jeffrey Cramer, atualmente diretor-gerente da consultoria Berkeley Research Group. "Você aborda o elo mais fraco e começa a construir o caso."

Trump impõe limite

Em maio, Mueller recebeu amplos poderes do vice-procurador-geral Rod Rosenstein para investigar não apenas a interferência da Rússia e o possível conluio com a campanha presidencial de Trump, mas também "quaisquer questões que tiverem surgido ou que possam surgir diretamente da investigação".

Agora, a ampliação da investigação corre o risco de confrontar Trump, que advertiu que investigar os negócios imobiliários de sua família seria algo fora dos limites.

A equipe jurídica de Trump não acredita que Mueller violará a ordem do presidente, mas está preparada para agir se isso acontecer, disse Jay Sekulow, um dos advogados de Trump, em entrevista. Entre as questões que estariam fora dos limites está a análise dos impostos de Trump ou das transações imobiliárias do presidente ou dos membros de sua família, disse Sekulow.

"Se considerarmos que alguma questão foi além do escopo de uma investigação legítima apresentaríamos, devidamente, nossas objeções à promotoria especial", disse Sekulow. "Se a resolução não nos parecer satisfatória, avaliaremos a possibilidade de avançar pelos canais apropriados no Departamento de Justiça."

Sekulow disse também que é "fundamentalmente incorreto" presumir que Mueller está realizando uma investigação semelhante àquelas voltadas às máfias no que diz respeito a Trump e seus familiares, pelo menos com base no que ele viu até o momento.

"As pessoas estão especulando sobre as coisas sem terem uma compreensão completa da natureza do que está ocorrendo", disse ele.

Rosenstein disse no "Fox News Sunday" neste mês que "não nos dedicamos a expedições de pesca" e que Mueller precisa ir até ele para pedir aprovação para investigar possíveis crimes que estiverem acima de sua alçada. Mueller e Rosenstein preferiram não comentar esta reportagem, segundo seus assessores.

--Com a colaboração de Toluse Olorunnipa

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