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Trump ataca imprensa e defende com ira reação a Charlottesville

Jennifer Epstein

(Bloomberg) -- O presidente dos EUA, Donald Trump, fez uma defesa irritada e contundente de sua resposta à violência em Charlottesville, Virgínia, declarando a partidários em Phoenix, em um comício semelhante aos da campanha, que a imprensa havia distorcido sua posição.

Dirigindo-se a milhares de simpatizantes na noite de terça-feira no Centro de Convenções de Phoenix, Trump acusou as principais organizações da imprensa de serem "desonestas" e de não informarem que ele falou "com veemência contra o ódio e a intolerância".

Trump dedicou mais de 20 minutos de um discurso de 75 minutos a um relato seletivo do tratamento que ele dispensou à violência em Charlottesville, ignorando sua declaração inicial que culpava "muitos lados" e seus comentários subsequentes de que havia pessoas boas marchando ao lado de suprematistas brancos.

O restante do Partido Republicano desejava mudar de assunto e deixar para trás Charlottesville, onde um manifestante opositor foi morto e 19 pessoas ficaram feridas, mas parecia que Trump mal podia esperar para voltar a falar sobre uma das piores semanas de sua presidência ? e chegou a levar sua infame declaração inicial para o pódio. A polêmica desencadeou intensas objeções de legisladores democratas e republicanos, e provocou o êxodo de executivos corporativos dos painéis consultivos de negócios da Casa Branca.

"É hora de questionar a imprensa", disse Trump, por seu papel "em fomentar divisões". O presidente acrescentou: "As únicas pessoas que dão uma plataforma a esses grupos de ódio são a própria imprensa e as notícias falsas."

Códigos nucleares

Antes que o discurso terminasse, Trump havia zombado dos dois senadores republicanos do estado, tinha ameaçado fechar o governo se não conseguisse o financiamento para o muro da fronteira e tinha insinuado que poderia abandonar o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês).

"Seus comentários sobre as negociações do Nafta voltam a colocar o direcionamento geral rumo à obstrução do livre comércio e suscitam preocupações com o impacto no comércio global", disse Hideyuki Ishiguro, estrategista sênior da Daiwa Securities em Tóquio.

Após o comício, James Clapper, ex-diretor de Inteligência Nacional dos EUA, concedeu uma entrevista à CNN e disse que "o verdadeiro Trump apareceu" no discurso. Clapper, que atuou durante o governo do ex-presidente Barack Obama e despontou como crítico de Trump, questionou sua aptidão para o cargo e expressou sua preocupação com o fato de ele ter acesso aos códigos nucleares. Clapper disse que seria responsabilidade dos legisladores republicanos tomar uma medida.

O senador do Tennessee Bob Corker expressou na semana passada uma das mais fortes críticas republicanas ao presidente, ao dizer que "mudanças radicais" precisam ocorrer na Casa Branca. Trump "precisa fazer um balanço do papel que ele desempenha em nosso país e ir além de si mesmo ? ir muito além de si mesmo ?, precisa passar para um lugar onde ele acorde diariamente pensando no que é melhor para o país", disse Corker.

--Com a colaboração de Toluse Olorunnipa

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