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Gestoras americanas de ETFs estão de olho na poupança da Europa

Sarah Jones e Ivan Levingston

(Bloomberg) -- Experientes na guerra de taxas no país de origem, gestoras de recursos dos EUA como BlackRock, Invesco e Eaton Vance partiram para a batalha na Europa.

Essas firmas tentam prosperar em uma região na qual as economias para aposentadoria chegam a US$ 2,5 trilhões e a emissão de fundos negociados em bolsa deve dar um salto. As gestoras do continente também lutam para se adaptar à revisão da Diretiva de Mercados em Instrumentos Financeiros (conhecida pela sigla MiFID) e lidam com as incertezas em torno da saída do Reino Unido da União Europeia.

O mercado europeu de fundos negociados em bolsa (exchange traded funds ou ETFs) pode se expandir dos atuais US$ 725 bilhões para US$ 1,1 trilhão até 2020, segundo a Bloomberg Intelligence. Isso dá às gestoras americanas oportunidade de desbancar rivais europeias, que costumam cobrar taxas mais elevadas do que nos EUA.

"É literalmente chocante", comentou o presidente da Invesco, Marty Flanagan, sobre o segmento de ETFs na Europa. As instituições de lá "provavelmente estão sete anos atrás" das gestoras dos EUA, ele disse.

A Invesco é uma gestora de fundos sediada em Atlanta com cerca de US$ 810 bilhões em ativos sob gestão. A instituição acertou a compra da provedora europeia de ETFs Source em abril, em acordo que trouxe mais US$ 18 bilhões em ativos a uma margem de 0,30 ou 0,31 ponto percentual, segundo o analista Eric Balchunas, da Bloomberg Intelligence.

Em junho, a BlackRock comprou uma participação na consultoria-robô Scalable Capital, no esforço de dar aos europeus maior variedade de opções de investimento, seja por meio de consultores digitais ou produtos de baixo custo que ajudam as pessoas a investir no longo prazo.

Poupadores

"A grande questão na Europa é que mais de 72 por cento da poupança está em cash" (instrumentos que equivalem a dinheiro vivo), disse o presidente da BlackRock, Laurence D. Fink, durante uma teleconferência sobre os resultados em 17 de julho. "A maioria dos poupadores só tem dinheiro e depósitos bancários."

Algumas firmas entraram em acordos para impulsionar planos de expansão na Europa. Foi o caso da Janus Capital Group, que neste ano realizou uma fusão com a Henderson Group, sediada em Londres.

Apesar de promissor, o mercado europeu é complexo e os regulamentos variam de um país para outro, de acordo com Dean Frankle, diretor da Boston Consulting Group, em Londres. Trata-se de um mercado mais fragmentado do que os EUA.

"Os diferentes modelos de distribuição em cada mercado na Europa significam que o que acontece na Alemanha é bem diferente do que acontece na Holanda", explicou Frankle.

As gestoras de recursos estão cada vez mais ocupadas com MiFID II, a diretiva que entra em vigor em janeiro, alterando as regras para prestação de serviços financeiros na UE. Uma das provisões mais polêmicas é a exigência que bancos e corretoras cobrem as gestoras de recursos pelas pesquisas que fornecem, em vez de oferecerem os relatórios de graça. Uma pesquisa realizada em junho mostrou atrasos na implantação da diretiva pela maioria dos executivos.

"Observamos que as mudanças regulatórias estão alterando o ambiente para ETFs", afirmou Fink em conversa por telefone com analistas. "Acreditamos que estamos vendo aceleração dos fluxos" em parte por causa de MiFID II.

Também aumentou a pressão sobre as taxas e isso pode ajudar provedoras de fundos de baixo custo ? como ETFs ? a ganhar participação de mercado. Um órgão regulador do Reino Unido está tomando providências para acabar com cobranças excessivas por parte das gestoras de ativos. O órgão apoia uma taxa única que inclui a cobrança pela gestão dos recursos, uma estimativa dos custos de transação e taxas intermediárias.

--Com a colaboração de Sabrina Willmer

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