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Robôs usam eletricidade estática para produzir tênis Nike

Joshua Brustein

(Bloomberg) -- A parte que mais exige mão de obra na fabricação de um par de tênis Nike é montar a parte flexível do calçado que fica sobre o pé. Em muitos tênis, essa parte superior parece um único pedaço de material sem costura visível, mas na verdade ela pode ser feita de até 40 peças armadas de uma determinada forma e depois aquecidas para se fundirem. Apesar de os robôs executarem boa parte do processo de fabricação de calçados, essa tarefa ainda estava além de sua capacidade. Portanto, os humanos continuavam no comando.

Mas agora os robôs estão chegando. Há quatro anos, a Nike investiu em uma startup chamada Grabit, com sede em Sunnyvale, Califórnia, que usa eletroadesão -- o tipo de eletricidade estática que faz com que seu cabelo se levante quando você esfrega um balão nele -- para ajudar as máquinas a manipularem objetos de novas formas. Mais recentemente, sem alarde, a Nike se tornou uma das primeiras clientes da startup.

Nos últimos 30 dias, a Grabit começou a fornecer às instalações que produzem calçados Nike algumas máquinas de montagem da parte superior do tênis capazes de trabalhar a um ritmo 20 vezes superior ao dos trabalhadores humanos. Até o fim do ano, cerca de uma dúzia destas máquinas estará operando na China e no México. Este pode ser um avanço para a Nike em sua tentativa de mudar os custos de fabricação de calçados para poder realocar o processo de manufatura para mais perto dos grandes mercados consumidores dos EUA e da Europa.

Praticamente toda empresa que fabrica objetos físicos está interessada em automação. Os braços robóticos realizam boa parte do trabalho nas fábricas de automóveis há anos e a Amazon patrocina um concurso anual para estimular acadêmicos a tornarem os robôs suficientemente inteligentes para pegarem objetos que nunca haviam visto. No caso da Grabit, a parceria com a Nike mostra que esse trabalho está chamando a atenção das empresas de vestuário mais renomadas do mundo.

Cerca de um milhão de pessoas produzem calçados Nike em 591 fábricas em todo o mundo, segundo a empresa, e essa produção se inclina fortemente em direção aos mercados de trabalho baratos da Ásia. A Nike mantém um projeto de inovação para fabricação avançada no Oregon, EUA, e em 2015 anunciou uma parceria com a Flex, uma de suas parceiras de fabricação, para desenvolvimento de novas tecnologias. Segundo o diretor de operações da Nike, Eric Sprunk, em declaração por e-mail, a Grabit "se encaixa estrategicamente ao impulso da Nike para acelerar a fabricação avançada". Grandes concorrentes da Nike como Adidas e Under Armour estão empreendendo esforços próprios de fabricação avançada com objetivos semelhantes em mente.

Até o momento os robôs são caros demais para justificar um desempenho regular na fabricação de vestuário, diz Dan Kara, diretor de pesquisa de robótica, automação e sistemas inteligentes da ABI Research. Mas a tecnologia e os incentivos financeiros estão mudando de tal forma que apontam para uma grande mudança no equilíbrio entre o trabalho de humanos e máquinas. "Este é um mercado enorme, inexplorado, e as fabricantes estão sob pressão para trabalharem da maneira mais eficiente", disse ele.

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