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VW, Mercedes e BMW tentam se recuperar da crise do diesel

Elisabeth Behrmann, Birgit Jennen e Ania Nussbaum

(Bloomberg) -- A Volkswagen, a Mercedes-Benz e a BMW vão revelar uma série de conceitos de carros elétricos no Salão Internacional do Automóvel de Frankfurt nesta semana, pisando fundo na máquina de propaganda para cobrir o ar de desespero que paira no setor automobilístico alemão.

As principais fabricantes de automóveis do mundo estão tendo dificuldades para se recuperar dois anos depois que o escândalo das emissões de diesel da Volkswagen pegou de surpresa as defensoras dessa tecnologia atualmente difamada. Com seus veículos de grande porte, as fabricantes alemãs são particularmente dependentes do diesel em seu mercado doméstico da Europa e têm apostado em motores que consomem combustível com eficiência para atender às normas de emissões, que se tornarão ainda mais rigorosas no começo da próxima década.

Mas, no rescaldo do escândalo, a demanda caiu em toda a região, que costumava ser um bastião dos carros a diesel graças aos anos de apoio do governo. Isso abre um buraco nas estratégias ambientais das fabricantes alemãs, colocando em risco bilhões de euros de investimento e dezenas de milhares de empregos. Além disso, há multas por excesso de poluição. A Volkswagen, sozinha, poderia enfrentar 1,5 bilhão de euros (US$ 1,8 bilhão) em multas anuais da União Europeia, estima a PA Consulting.

"Nossa impressão é que nem todo mundo da indústria automotiva acordou para as próximas mudanças", disse Helmut Dedy, diretor administrativo da Federação Alemã das Cidades. "Ainda falta muita coisa."

A marca Mercedes, da Daimler, vai lançar um hatchback elétrico em Frankfurt, a BMW apresentará um Mini a bateria, e a Volkswagen exibirá uma série de conceitos. Todos deverão chegar ao mercado tarde demais para ajudar substancialmente as fabricantes a cumprir o limite médio mais rigoroso imposto pela UE à frota, de 95 gramas de dióxido de carbono por quilometro, até 2021.

'Uma morte'

"As fabricantes de automóveis precisam escolher uma morte", disse Thomas Goettle, que dirige a equipe automotiva da PA Consulting e estima que todas as três fabricantes de automóveis alemãs vão ultrapassar os limites da UE, o que as deixaria expostas a multas. "Elas não podem correr o risco de não cumprir as metas climáticas se quiserem continuar sendo líderes em tecnologia. Por isso, elas vão precisar engolir" o custo mais alto dos carros elétricos.

Durante anos, o diesel foi uma opção conveniente para a Volkswagen, a Mercedes e a BMW porque proporcionava uma aceleração enérgica e emitia cerca de um quinto menos de CO2 que os motores comparáveis movidos a gasolina. A tecnologia também era lucrativa, ao contrário dos carros elétricos. Até a recente desaceleração das vendas, os modelos a diesel respondiam por mais da metade do mercado de automóveis da Europa.

As fabricantes de automóveis têm margem de manobra e poderiam reduzir os preços dos modelos híbridos plug-in para atrair os consumidores e reduzir as emissões. Mas isso, por sua vez, trará "retornos significativamente menores", disse o chefe de desenvolvimento da BMW, Klaus Froehlich, a jornalistas na semana passada.

--Com a colaboração de Christoph Rauwald e Gabrielle Coppola

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