Agência nuclear da Rússia desafiará Ocidente no setor eólico

Stephen Bierman e Anna Hirtenstein

(Bloomberg) -- A agência nuclear estatal da Rússia, Rosatom, não está prestando atenção aos céticos da energia não poluente do estado petroleiro e se prepara para ingressar nos mercados internacionais da energia eólica.

Os investimentos planejados pela Rosatom na fabricação de turbinas e no desenvolvimento de parques eólicos quase dobraram, para cerca de 2 bilhões de euros (US$ 2,4 bilhões), nos últimos 15 meses. O aumento dos gastos ajudará a empresa com sede em Moscou a concorrer com nomes como a Vestas Wind Systems, a General Electric e a Enel.

"A ideia é desenvolver habilidades, capacidades e experiência em toda a cadeia de valor da energia eólica para que possamos atuar internacionalmente", disse Emin Askerov, diretor de desenvolvimento de negócios internacionais da VetroSGC, uma unidade da Rosatom, em entrevista.

A Rússia, maior exportador mundial de energia, vem leiloando o direito a gerar energia não poluente desde 2013 e, até recentemente, ninguém estava muito interessado, exceto a Rosatom. O presidente Vladimir Putin tinha dito que a abundância de hidrocarbonetos do país fazia com que a energia de fontes renováveis, como a eólica e a solar, fosse praticamente desnecessária.

Na Rússia, os desenvolvedores de energias renováveis precisam cumprir regras estritas de conteúdo local na fabricação de equipamentos. Essas regulamentações deixaram as vastas faixas de terras ventosas da Rússia com uma capacidade mínima de geração de energia eólica porque as fabricantes de turbinas não têm produzido no país.

A Rosatom vem trabalhando para mudar isso.

A Rosatom, maior fabricante de combustível nuclear do mundo e uma das principais elaboradoras de planos para a energia atômica, está reequipando duas fábricas em Volgodonsk e Petrozavodsk para expandir sua presença na energia renovável. Ela fez parceria com a fabricante holandesa de turbinas Lagerwey Wind para combinar suas tecnologias com o poder de fabricação, de engenharia e financeiro da Rosatom.

"Eles estão na vanguarda da tecnologia de que a gente gosta", disse Askerov.

A Rosatom buscará mercados em crescimento, tentando aproveitar relações existentes e obter uma vantagem competitiva, segundo Askerov. Em junho, empresa assinou um contrato de licenciamento com a Lagerwey para fabricar turbinas de 2,5 megawatts e, possivelmente, de 4 megawatts. A Rosatom planeja apresentar a estratégia reformulada à sua diretoria no começo do ano que vem.

Em 2016, a Rússia gerou 42 por cento de sua eletricidade com as enormes reservas de petróleo e gás do país, e o carvão e a energia nuclear representaram mais 43 por cento, segundo dados da Bloomberg New Energy Finance. As empresas de serviços públicos, os clientes e os produtores de petróleo e gás do país continuam céticos em relação aos custos em meio a um superávit de energia.

Mesmo assim, a oportunidade de estimular a criação de empregos em fabricação e tecnologia deu um nicho à energia renovável. O maior leilão de energia não poluente da Rússia foi realizado em maio e marcou um ponto de inflexão ao atrair compradores internacionais.

"Sabemos que o mercado russo é muito pequeno agora, embora as condições para investir sejam muito boas", disse Askerov. "Ter ou não ter mais fontes renováveis no balanço de energia da Rússia ainda é um debate em aberto."

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