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Rebaixamento da China pela S&P é boa notícia para o investidor

Bloomberg News

(Bloomberg) -- A S&P Global Ratings talvez tenha feito um favor a quem investe na China.

A agência de classificação de risco de crédito piorou a nota do país a menos de um mês do início do Congresso do Partido Comunista, que acontece somente a cada cinco anos. Neste momento, as autoridades têm mais razões para manter o otimismo dos mercados financeiros. A mão do Estado se revelou após uma decisão equivalente pela Moody's Investors Service em maio: a perda reativa nas ações chinesas evaporou em um único pregão e, ao cabo de uma semana, o yuan chegou ao maior patamar em sete meses no mercado offshore, sob suspeitas de intervenção governamental.

"O impacto nos preços dos ativos chineses provavelmente será de alta", disse Ziyun Wang, sócio-fundador do fundo de hedge DeepBlue Global Investment. "Fundos grandes com apoio estatal provavelmente vão comprar em vez de vender ações e títulos chineses."

Nesta quinta-feira, a S&P rebaixou a nota de crédito soberano da China em um nível para A+. Foi a primeira decisão desta natureza pela agência desde 1999, motivada pelos riscos associados ao rápido aumento do endividamento. Após o rebaixamento (downgrade) pela Moody's, em 24 de maio -- que o governo chinês descreveu como "absolutamente sem fundamento" --, o Shanghai Composite Index se recuperou de uma queda de 1,3 por cento e fechou acima do que estava antes, além de avançar 1,4 por cento no dia seguinte. O yuan registrou o maior ganho semanal desde julho de 2016, uma vez que investidores que vendiam a moeda a descoberto em Hong Kong foram pressionados pela disparada dos juros interbancários.

"A notícia pode ser interpretada positivamente na China", disse Qin Han, analista-chefe de renda fixa da  Guotai Junan Securities, em Xangai. "Os investidores domésticos talvez esperem que o governo divulgue medidas de apoio para aliviar qualquer perturbação."

Se sustentar os mercados era importante em maio, agora é ainda mais. As autoridades enfatizaram a necessidade de estabilidade às vésperas do evento político mais importante em anos.

Pessoas a par do assunto relataram que a Comissão de Valores Mobiliários da China determinou que corretoras locais diminuam riscos e garantam a estabilidade dos mercados antes e durante o encontro das lideranças do Partido Comunista, no mês que vem. A comissão também proibiu os responsáveis pelas corretoras de tirar férias ou sair do país a partir de 11 de outubro até que o congresso termine, disseram as fontes.

Embora o rebaixamento pela Moody's tenha inicialmente abalado os mercados, a decisão da S&P foi menos surpreendente, de acordo com Becky Liu, estrategista-chefe de macroeconomia da China da Standard Chartered. A notícia também chegou após um período de valorização dos ativos chineses. O Shanghai Composite avançou quase 4 por cento nos últimos dois meses e o MSCI China Index, que acompanha ações listadas no exterior, subiu 11 por cento. O yuan se apreciou 2,6 por cento em relação ao dólar.

"Os gestores de fundos chineses provavelmente ficarão sentadinhos em suas posições", afirmou Qiu Zhicheng, estrategista da ICBC International Research, em  Hong Kong. Se os investidores estrangeiros venderem ações em Hong Kong devido a preocupações com o rebaixamento, "será boa oportunidade para comprar na baixa".

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