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Não há mulheres nos conselhos dessas bilionárias firmas da Ásia

Bruce Einhorn

(Bloomberg) -- Mesmo para os baixos padrões da Ásia quando o assunto é a presença de mulheres em conselhos corporativos, o progresso dos bilionários da região mostra atraso: a maior parte dos homens mais ricos da China, do Japão e da Coreia do Sul dirige empresas com poucas ou nenhuma mulher no conselho.

A situação é particularmente extrema nas maiores empresas de tecnologia da Ásia com fundadores bilionários. A SoftBank, de Masayoshi Son, a fabricante de sensores e leitores de códigos de barras Keyence, de Takemitsu Takizaki, a Tencent Holdings, de Pony Ma, a Baidu, de Robin Li, a Samsung Electronics, de Lee Kun-hee, e a fabricante de chips SK Hynix, de Chey Tae-won, têm conselhos constituídos apenas por homens.

A Alibaba Group, do homem mais rico da China, Jack Ma, tem uma mulher no conselho.

Embora as autoridades do Japão, da Índia e de outros países estejam pressionando por funções mais importantes para as mulheres na vida corporativa, o seleto mundo dos bilionários demora para mudar. A Ásia é a segunda pior região do mundo, atrás apenas da América Latina, no que diz respeito à presença de mulheres em conselhos, com uma média de 7,8 por cento dos diretores, segundo estudo da Deloitte. Na Europa, 22,6 por cento dos diretores são mulheres, concluiu o estudo.

"Os homens muitas vezes gostam de levar seus melhores amigos, e não as melhores pessoas, para seus conselhos", disse Susan Stautberg, CEO da Women Corporate Directors Foundation, grupo com sede na Flórida com membros em mais de 8.500 conselhos em todo o mundo. A WCD promoverá uma conferência em Hong Kong a partir de quarta-feira, e a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, que em julho se tornou a primeira mulher a liderar o governo da cidade, será a oradora principal, na quinta-feira.

O fenômeno não se limita ao setor de tecnologia. Entre os cinco homens mais ricos desses três países, segundo o Bloomberg Billionaires Index de segunda-feira, Tadashi Yanai, da japonesa Fast Retailing, e Wang Jianlin, da chinesa Dalian Wanda Commercial Properties, não contam com nenhuma mulher em seus conselhos. O mesmo ocorre com a fabricante de cosméticos coreana Amorepacific Group, de Suh Kyung-bae, e com a subsidiária Amorepacific Corp. A empresa chinesa de entrega de encomendas SF Holding, fundada por Wang Wei, tem uma.

Solitário entre os cinco maiores bilionários da China, Hui Ka Yan conta com duas mulheres no conselho da China Evergrande Group.

É difícil afirmar que a ausência de mulheres nos conselhos corporativos da Ásia está contribuindo para um desempenho ruim, mas diversos estudos mostram que a perspectiva feminina pode ajudar a promover uma excelência maior nas empresas.

"Pesquisas mostram que a diversidade de gênero promove uma discussão melhor no conselho", disse Pru Bennett, chefe de administração de investimentos para a região Ásia-Pacífico da firma de gestão de ativos BlackRock, que promove a questão quando se reúne com executivos de empresas asiáticas, incluindo aquelas nas quais a BlackRock investe. "Esta é uma questão estratégica. Diz respeito a levar as pessoas certas ao conselho e promover uma melhor tomada de decisões."

--Com a colaboração de Takako Taniguchi Yoojung Lee Sam Kim Lulu Yilun Chen Saritha Rai Bhuma Shrivastava Prudence Ho Jing Yang de Morel P R Sanjai Emma Dong e David Ramli

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