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Após boom agrícola, Rússia quer autossuficiência de sementes

Anatoly Medetsky

(Bloomberg) -- Depois da era soviética, a Rússia transformou seu setor agrícola porque as importações de tecnologia, equipamentos e capital estrangeiros ajudaram os agricultores a transformar o país em um dos maiores produtores do mundo. Agora, a Rússia quer dar o próximo passo de seu fortalecimento agrícola: as sementes.

Muitos agricultores utilizam sementes especializadas, criadas para resistir a pragas, doenças e secas, porém, para algumas safras, mais de metade delas provém de produtores estrangeiros, como a Monsanto e a Syngenta, que dominam um mercado global avaliado em mais de US$ 58 bilhões. Empresas russas, entre elas a Ros Agro e a unidade agrícola do bilionário Oleg Deripaska, querem diminuir essa dependência das importações criando suas próprias sementes para diversos cultivos, como milho, girassol e beterraba-sacarina.

"A independência alimentar começa com as sementes", disse Pyotr Chekmarev, chefe do departamento de cultivos do Ministério da Agricultura da Rússia. "Atingiremos um patamar onde não dependeremos de ninguém. As empresas estão prosperando e devem adotar novas tecnologias."

As grandes reservas de energias da Rússia ajudaram a dar um impulso à economia nos últimos 15 anos, o que incluiu investimentos no setor alimentar. O país se transformou em um grande exportador de grãos e é autossuficiente em açúcar, mas o presidente Vladimir Putin diz que a Rússia ainda depende demais das sementes importadas. O setor local poderia levar anos para conquistar uma maior parte do mercado. Safras são plantadas e cruzadas com outras variedades muitas vezes para que as características desejadas surjam nas sementes.

Mas os benefícios poderiam ser enormes. Empresas estrangeiras fornecem cerca de 80 por cento das sementes de beterraba-sacarina e quase metade das sementes de milho da Rússia, afirmou o Ministério da Agricultura. Desenvolver sementes melhores nacionalmente poderia aumentar em até 20 por cento os rendimentos das safras, segundo Pavel Volchkov, chefe de engenharia genômica do Instituto de Física e Tecnologia de Moscou.

Incentivos

Embora os investimentos em sementes das empresas russas ainda sejam relativamente pequenos, os incentivos para desenvolver um setor local estão aumentando, disse Salis Karakotov, diretor-geral da produtora de pesticidas Schelkovo Agrohim.

A desvalorização do rublo - consequência dos preços baixos da energia e das sanções internacionais devido à atuação da Rússia na Ucrânia - encareceu todas as importações, inclusive as sementes. Além disso, realizar a pesquisa na Rússia provavelmente custaria menos do que produtores estrangeiros gastam no desenvolvimento de seus produtos.

A Ros Agro e a Schelkovo Agrohim gastarão ao todo 500 milhões de rublos (US$ 9 milhões) para criar e construir um centro de genética nos próximos cinco anos, disse Karakotov. A Ros Agro informou que pretende investir em sementes de soja neste ano e em sementes de grãos no ano que vem.

A Kuban AgroHolding, a unidade de Deripaska, que em 2015 formou parceria com a francesa Maïsadour Semences para desenvolver sementes de milho, girassol e colza, informou que agora está testando as sementes de milho criadas conjuntamente.

"Apesar do bom ritmo de desenvolvimento na agricultura, ainda dependemos das importações" de sementes, disse Putin em julho, quando um estudante lhe pediu que comentasse o maior problema agrícola da Rússia. "É preciso prestar uma atenção especial nisso no futuro imediato."

--Com a colaboração de Samuel Dodge

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