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Chuvas no Brasil renovam esperanças para safra do café de 2018

Isis Almeida

(Bloomberg) -- O retorno das chuvas às principais regiões cafeeiras do Brasil fez com que traders voltassem a apostar em uma safra recorde no próximo ano no maior país produtor do mundo.

Embora um mês de setembro mais seco do que o habitual tenha gerado preocupações com o tamanho da safra, as chuvas deste mês nas principais regiões de cultivo estão ajudando a desencadear uma segunda onda de floração. Ainda assim, é preciso haver mais chuvas para garantir que as flores se transformem nos frutos que contêm os grãos que deverão ser colhidos no ano que vem.

A produção brasileira deve aumentar, porque os cafeeiros que produzem os grãos arábica, os preferidos da Starbucks, estão entrando na etapa de maior rendimento de um ciclo de dois anos e as ofertas da variedade robusta, usada no café instantâneo, também estão se recuperando. Ainda faltam muitos meses para o começo da colheita do robusta, em torno de abril ou maio, e um mês mais para a do arábica, e o clima ainda poderia piorar.

"O mercado espera uma safra bem acima de 60 milhões de sacas", disse Joseph Reiner, chefe de café da Cofco International, na semana passada, antes do jantar anual da Swiss Coffee Trade Association. "A área e o potencial agronômico com certeza sustentam essa projeção, mas é necessário contar os frutos nos cafeeiros e ainda faltam três meses para isso. Neste momento, a safra poderia ser tanto de 65 milhões quanto de 55 milhões."

Uma safra brasileira maior poderia levar o mercado mundial a um superávit na próxima temporada, invertendo uma escassez que a Volcafe estima em 7 milhões de sacas em 2017-18. O tamanho da safra do próximo ano dependerá das chuvas de dezembro a fevereiro, disse Keith Flury, chefe de pesquisa de café da trader que é uma das maiores do mundo, em uma entrevista em Genebra na semana passada.

A perspectiva de uma oferta maior já está afetando os preços e os futuros do arábica caíram 11 por cento desde meados de setembro.

Clima melhor

As chuvas na maior região produtora de arábica do Brasil, o sul e o sudoeste de Minas Gerais, totalizaram 38,2 milímetros na semana passada, 76 por cento acima da média, informou a Somar Meteorologia. As chuvas favoreceram a floração no sul de Minas Gerais e na região do cerrado no último fim de semana e projeta-se mais chuva em São Paulo nesta semana, informou o Cepea, grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo. A melhora do clima significa que a produção de robusta vai aumentar 32 por cento, para 16,5 milhões de sacas, de acordo com Carlos Mera, analista do Rabobank International.

No entanto, "as opiniões estão divididas" em relação à safra do arábica, disse Mera em Genebra na sexta-feira. "Alguns estão preocupados com a seca e com a queda das folhas, enquanto outros argumentam que o tempo seco, que estressou os cafeeiros logo antes da chuva que estamos recebendo agora, será bom para a floração."

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