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Facebook quer acesso a informações confidenciais dos EUA: Fonte

Sarah Frier e Bill Allison

16/10/2017 11h05

(Bloomberg) — O Facebook pretende contratar pessoas que tenham autorizações de segurança nacional, uma medida que a empresa considera necessária para evitar que forças estrangeiras manipulem eleições futuras através de sua rede social, de acordo com uma pessoa a par do assunto.

Os trabalhadores com tais autorizações podem ter acesso a informações classificadas como confidenciais pelo governo dos EUA. O Facebook planeja usar essas pessoas — e a possibilidade que elas têm de receber informações do governo sobre ameaças potenciais — no esforço da empresa para buscar de forma mais proativa campanhas de conteúdo questionável nas mídias sociais antes de eleições, de acordo com a pessoa, que pediu anonimato porque a informação é delicada. Um porta-voz do Facebook preferiu não comentar.

Os candidatos a emprego com esse tipo de autorização costumam ser ex-funcionários de inteligência do governo e ou terceirizados. O status pode ser transferido para empregos do setor privado, desde que o cargo também exija acesso a informações confidenciais. As autorizações concedidas anteriormente se tornam inativas quando os trabalhadores de inteligência saem do emprego no governo, mas podem ser reativadas em nome do Facebook, disse a pessoa.

O Escritório do Diretor Nacional de Inteligência e o Departamento de Segurança Nacional não responderam a pedidos de comentários no domingo.

O Facebook foi pressionado a enfrentar questões relacionadas a possíveis manipulações políticas depois de revelar no início do mês passado que havia vendido cerca de US$ 100.000 em anúncios durante a eleição presidencial de 2016 para compradores que, segundo soube depois, estavam conectados ao governo russo. Afirma-se que o promotor especial Robert Mueller, que está examinando a interferência da Rússia na eleição presidencial dos EUA de 2016, bem como um possível conluio com associados do presidente Donald Trump, tem um foco "incandescente" sobre como a Rússia usou as plataformas de redes sociais.

'Criar caos'

Os anúncios no Facebook financiados pela Rússia, que foram entregues aos painéis do Congresso, abordaram um amplo leque de questões, incluindo o movimento Black Lives Matter. Richard Burr, presidente de inteligência do Senado dos EUA, disse a jornalistas em uma entrevista coletiva neste mês que o tema parecia ser "criar caos em todas as dimensões". O Comitê de Inteligência da Câmara espera divulgar os anúncios o mais rápido possível, disseram os líderes.

Os anúncios direcionados foram comprados pela Internet Research Agency, uma empresa russa com vínculos com o Kremlin. O Facebook descobriu esses anúncios com a ajuda de um relatório de inteligência público anterior dos EUA que mencionava o grupo, mas as descobertas futuras poderiam ser mais fáceis se a empresa não precisar aguardar a divulgação pública de informações similares.

O CEO Mark Zuckerberg disse no mês passado que o Facebook planeja somar mais de 250 pessoas a suas equipes que lidam com a segurança e a proteção da rede social e mais do que dobrar o tamanho da equipe que trabalha em integridade eleitoral. Ele também disse que a empresa tentaria trabalhar mais de perto com funcionários do governo para obter informações sobre o que investigar antes das eleições.

—Com a colaboração de Nafeesa Syeed

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