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UE inicia plano B diante de impasse no Brexit, dizem fontes

Ian Wishart, Timothy Ross e Nikos Chrysoloras

26/10/2017 09h39

(Bloomberg) -- A União Europeia concordou em iniciar preparativos internos para a possibilidade de as negociações sobre a saída do Reino Unido do bloco não evoluírem significativamente durante uma cúpula de líderes em dezembro. Paralelamente, o antigo representante britânico na UE afirmou que os objetivos comerciais do Reino Unido eram irrealistas.

Em encontro em Bruxelas na quarta-feira, os 27 governos da UE fora o Reino Unido aprovaram trabalhos para iniciar uma resposta à perspectiva de o Reino Unido e a UE não atingirem progresso suficiente nos próximos dois meses que permita o começo das negociações comerciais no fim do ano, de acordo com quatro pessoas a par das discussões. Ao mesmo tempo, haverá preparativos para um desfecho mais positivo.

As próximas sete semanas serão críticas para todo o processo do Brexit. A saída do Reino Unido está marcada para março de 2019. A UE precisa concordar que houve "progresso suficiente" nas principais questões envolvendo a saída do Reino Unido antes do início das negociações sobre um período de transição e um arranjo comercial para o futuro.

Um encontro de líderes da UE na semana passada havia sido programado como ocasião em que as conversas avançariam. Em vez disso, chefes de Estado e governo disseram à primeira-ministra Theresa May que ela primeiramente precisa especificar exatamente os compromissos financeiros do Reino Unido. A UE quer um acordo de divórcio de aproximadamente 60 bilhões de euros (US$ 71 bilhões) e a oferta do Reino Unido até agora foi cerca de um terço disso.

Questões da separação

A prioridade da UE ainda é ter planos para que as negociações com o Reino Unido possam começar imediatamente em dezembro, contanto que haja acordo nas questões de separação que envolvem o acordo financeiro, a proteção aos direitos civis e a fronteira da Irlanda do Norte, disse uma das fontes. Os planos incluem o esboço de um mandato atualizado para o negociador do bloco, Michel Barnier, discutir arranjos comerciais e de transição com o Reino Unido após sua saída do bloco.

A autorização dada na quarta-feira se refere a preparativos em resposta somente a uma falta de progresso até dezembro e não a contingências no caso de uma ruptura nas conversas, de acordo com as pessoas, que pediram anonimato porque as discussões têm caráter privativo. A ideia é elaborar as conclusões da cúpula da UE em resposta à continuidade do impasse.

Em Londres, o secretário britânico para o Brexit, David Davis, foi obrigado a reverter sua posição na quarta-feira, após sugerir que os parlamentares talvez não consigam votar sobre os termos finais do divórcio antes que a separação aconteça.

Poucas horas depois de Davis levantar a possibilidade de uma audiência parlamentar, o gabinete dele distribuiu um comunicado afirmando que o governo ainda está empenhado em obter um acordo com a UE a tempo de os parlamentares terem a chance de votar antes que o Reino Unido saia do bloco, em março de 2019. Diversos legisladores haviam expressado temor de que os ministros poderiam deixar o Parlamento de lado depois de prometerem que as duas câmaras se pronunciariam sobre um acordo final.

Na parte da manhã, Davis fez previsão de que as negociações chegariam no limite do prazo em uma intensa disputa de ameaças e alta pressão que pode negar ao Parlamento a chance de votar sobre o acordo final antes que seja tarde. Em esclarecimento divulgado na parte da tarde, o gabinete de Davis afirmou que ele havia sido questionado sobre "cenários hipotéticos".

--Com a colaboração de Viktoria Dendrinou

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