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YPF conta com Macri e Chevron para boom do xisto na Argentina

Jonathan Gilbert e Pablo Gonzalez

26/10/2017 13h51

(Bloomberg) -- Um presidente argentino fortalecido, uma parceria com a Chevron e talvez alguma ajuda de perfuradores do Permiano -- a YPF está contando com tudo isso para dobrar a produção de um dos maiores campos de xisto do mundo.

A coalizão governante do presidente Maurício Macri obteve uma vitória contundente nas eleições legislativas do fim de semana passado, que lhe deram um mandato para aprofundar uma mudança econômica favorável ao mercado com reformas radicais. Suas propostas, especificamente as mudanças na seguridade social, provavelmente ajudarão a YPF a reduzir custos, disse o presidente da companhia, Miguel Gutiérrez, em entrevista no escritório da Bloomberg em Nova York.

"Espero que com algumas dessas medidas também possamos reduzir os custos", disse Gutiérrez. As reformas teriam que ser aprovadas pelo Congresso.

A produtora estatal de petróleo e gás quer cortar o custo de desenvolvimento em Vaca Muerta, uma formação de quase 30.000 quilômetros quadrados na Patagônia, dos atuais US$ 13,40 por barril para US$ 10 em 2022. Esse valor seria mais próximo ao dos poços da Bacia do Permiano, nos EUA, à medida que a Argentina busca se posicionar como lugar do próximo boom do xisto.

A YPF já está colhendo os frutos de um acordo fechado com os sindicatos em Vaca Muerta no início deste ano, mas um pacote de reformas, que deverá incluir mudanças nas leis trabalhistas e tributárias e que deverá ser apresentado por Macri no dia 30 de outubro, poderia lhe dar ainda mais impulso.

'Bastante ambicioso'

A meta de US$ 10 é um "alvo bastante ambicioso" que, além de custos trabalhistas menores, também depende do sucesso de poços horizontais mais longos que abrangem 2,5 quilômetros, que a YPF começou a perfurar com a Chevron, disse o diretor financeiro da empresa, Daniel González, na mesma entrevista.

A YPF prevê que a produção de petróleo e gás de xisto aumentará em 150 por cento até 2022, provocando um aumento de 25 por cento na produção total, de acordo com um plano de cinco anos apresentado na quarta-feira na Bolsa de Valores de Nova York. Isso significa que 56 por cento da produção virão dos chamados poços não convencionais, contra 28 por cento agora. A produção total da YPF aumentará para o equivalente a 700.000 barris de petróleo por dia, em contraste com os 550.100 informados no segundo trimestre, disse González.

Em sua iniciativa para explorar Vaca Muerta, que não conseguiu estar à altura das expectativas de desenvolvimento rápido, a YPF prevê que empresas petrolíferas independentes de média capitalização do Permiano acabarão participando, atraídas em parte pelas políticas de Macri. A experiência dessas empresas "também nos ajudará a reduzir os custos, especialmente em logística", disse Gutiérrez. As empresas petrolíferas com as quais a YPF tem parcerias atualmente também poderiam procurar aumentar suas posições à medida que Vaca Muerta for decolando, disse ele.

--Com a colaboração de Karla Palomo