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Crescimento global da economia ajuda a gerar alta de metais

Jack Farchy e Mark Burton

30/10/2017 14h38

(Bloomberg) -- O crescimento global está muito forte, e isso só pode ser positivo para os preços dos metais.

Essa é a mensagem do setor antes da LME Week. Pela primeira vez em anos, o otimismo contagia traders, fundições, mineradoras e corretores reunidos em Londres, estimulados por uma combinação entre um crescimento forte nos principais centros de demanda do mundo, restrições à oferta na China e a volta do interesse dos investidores.

"A economia está muito melhor do que estava desde a crise, talvez até antes", disse Saad Rahim, economista-chefe da Trafigura Group, o segundo maior trader de metais. "Estou bastante otimista."

O ânimo otimista mostra como tudo mudou em dois anos, quando o colapso das commodities deixou de joelhos os titãs da mineração. Em setembro de 2015, a Glencore foi obrigada a captar recursos quando suas ações estavam no fundo do poço, uma iniciativa para acalmar investidores assustados com um endividamento esmagador. Agora, o colosso da mineração voltou a se gabar, porque colhe lucros e faz acordos bilionárias por ativos de recursos naturais em todo o mundo. Nesta segunda-feira, a empresa elevou a projeção de lucros para sua divisão de trading, justificada pelo desempenho forte no terceiro trimestre.

Metais industriais avançaram muito desde meados do ano. O cobre beira US$ 7.000 por tonelada, o zinco atingiu o maior valor em dez anos e o alumínio deu um salto de quase 30 por cento neste ano. Nesse contexto, hedge funds macroeconômicos - que antigamente eram operadores de peso na Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês) - estão começando a considerar novamente os mercados de metais, segundo corretores.

Demanda

Pela primeira vez em anos, a perspectiva para a demanda global por metais não depende exclusivamente da China. A atividade fabril na zona do euro está crescendo ao ritmo mais rápido desde pelo menos 2014. Neste mês, o Fundo Monetário Internacional aumentou sua projeção de crescimento para os EUA, a zona do euro, o Japão e a China e afirmou que o ritmo do desempenho da economia global é o melhor dos últimos dez anos.

"A perspectiva econômica está mais forte que estava há um tempo entre as principais economias, com um crescimento mais constante na Europa, nos EUA e na China", disse Sid Tipples, codiretor de metais do JPMorgan Chase & Co.

Embora o otimismo se baseie na forte demanda global, problemas de oferta também estão criando bolsões de escassez. Reduções de produção da Glencore ajudaram a alimentar a alta do zinco e diminuições da capacidade chinesa estimularam uma alta nos preços do alumínio.

Mas o crescimento global não pode manter um ritmo veloz para sempre, disse Mark Hansen, CEO da Concord Resources, trader de médio porte de metais.

"Receio que tenhamos entrado em uma zona onde as pessoas acham que tudo simplesmente vai melhorar cada vez mais", disse ele. "A China acaba de fazer seu Congresso do Partido. Provavelmente já atingimos o pico de criação de crédito para este ciclo na China."