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Volkswagen amplia busca por cobalto para carro elétrico, dizem fontes

Tom Wilson e Christoph Rauwald

(Bloomberg) -- A Volkswagen está intensificando a busca por ofertas a longo prazo de metais para as baterias de que a empresa precisará para ajudar a alimentar os carros elétricos de toda a sua linha.

A maior fabricante de automóveis do mundo chamou produtores e traders de cobalto, um dos metais de melhor desempenho deste ano, para conversar na sede alemã da empresa, nesta semana, disseram pessoas familiarizadas com o assunto. A compra desse componente fundamental das baterias pode não ser tão simples quanto se pensava -- após apresentar uma proposta em setembro, a empresa flexibilizou as exigências para as ofertas a preços fixos com desconto, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque as negociações são privadas.

A Volkswagen mantém "intensas negociações" com produtoras de materiais para carros elétricos, informou a empresa por e-mail, acrescentando que as discussões também têm relação com a transparência, a conformidade e a sustentabilidade da cadeia de abastecimento de commodities.

Por sua capacidade de condução de eletricidade, o cobalto, normalmente usado para endurecer o aço, se tornou parte essencial das baterias recarregáveis. Com isso, os usuários enfrentam dificuldades para garantir a oferta, que provém principalmente da República Democrática do Congo. A garantia de compra a longo prazo será crucial para a Volkswagen porque a empresa planeja investir mais de 34 bilhões de euros (US$ 40 bilhões) nos próximos cinco anos como parte do impulso aos veículos movidos a bateria e aos sistemas de direção autônoma.

Com o boom dos carros elétricos, a demanda pelo cobalto pode se multiplicar por 47 até 2030, segundo a Bloomberg New Energy Finance. O metal acumula alta de 86 por cento no ano e é negociado a US$ 61.000 a tonelada na Bolsa de Metais de Londres.

Preço maior

Os preços elevados e as restrições de oferta estão levando algumas fabricantes de veículos a investir em novas tecnologias de baterias menos dependentes do cobalto. Ainda assim, o cobalto provavelmente chegará a ser negociado acima do pico de 2008, de US$ 107.000, por um "período sustentado", apesar de as mineradoras estarem buscando novas fontes de oferta, informou a Sanford C. Bernstein em relatório, em setembro.

Entre as maiores produtoras mundiais do metal estão Glencore, Eurasian Natural Resources e China Molybdenum. No ano passado, a Glencore despachou 24.500 toneladas da mina Mutanda, no Congo, quase um quarto da produção global. As minas de níquel, como as administradas pela Sherritt International em Madagascar e pela Vale na Nova Caledônia, também produzem cobalto, mas em volumes muito menores que os projetos de cobre do Congo.

O país africano responde por cerca de dois terços da produção global. A maior parte vem de minas administradas pela Glencore e pela China Molybdenum, mas cerca de 10 por cento a 20 por cento provêm de escavações informais que, segundo organizações como a Anistia Internacional, poderiam estar usando trabalho infantil. A dependência do Congo e o risco de um metal extraído em condições perigosas entrar na cadeia de abastecimento global aumenta a necessidade de os usuários garantirem fontes confiáveis e transparentes.

--Com a colaboração de Mark Burton

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