Acordo Opep-Rússia enfrenta último obstáculo: saber como parar

Laura Hurst, Salma El Wardany e Wael Mahdi

(Bloomberg) -- A Opep e a Rússia concordam em duas coisas: os cortes na produção de petróleo de ambos funcionam e devem ser prolongados até mais adiante no ano que vem. O mais complicado é fechar um acordo a respeito de quando e como acabar com a redução.

Às vésperas da reunião de ministros em Viena, esta pergunta não respondida é a principal razão pela qual a Rússia ainda não concordou formalmente com a renovação do acordo até o fim do ano que vem, segundo pessoas a par do assunto. Moscou quer clareza em relação ao futuro -- algo que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo não costuma oferecer.

"Conversaremos a respeito", disse o ministro do Petróleo do Kuwait, Issam Almarzooq, na terça-feira, quando indagado se seria discutida uma estratégia de saída nesta semana.

Em cortes anteriores da Opep, a estratégia de saída muitas vezes ficou em segundo plano. Quando o grupo quer o término de um acordo, simplesmente começa a trapacear em seus próprios cortes, aumentando a produção de forma lenta e muitas vezes sigilosa. O acordo atual envolve dez países não membros, entre eles a Rússia, que prefeririam um roteiro claro dos hábitos obscuros de um cartel de 57 anos.

"Sempre há debate -- todos os países têm o mesmo peso na hora de expressar pontos de vista", disse o ministro de Energia saudita, Khalid Al-Falih, em Dubai, na terça-feira, antes de viajar para Viena. "Estamos ansiosos para envolver todos em uma discussão robusta e chegaremos à decisão certa."

A dúvida sobre como encerrar uma longa intervenção no mercado é um dilema familiar para os bancos centrais, que têm dificuldades para evitar perturbações para os investidores quando estudam formas de acabar com anos de dinheiro barato. O chamado taper tantrum adotado depois de o Federal Reserve, o banco central dos EUA, sugerir que reduziria gradualmente as aquisições de títulos, em 2013, é um poderoso lembrete das possíveis dificuldades de encerrar os cortes da Opep.

Interesses comuns

As divergências entre a Opep e a Rússia são mais táticas do que estratégicas, porque todos os países produtores querem evitar estimular a volatilidade dos preços, segundo delegados e analistas.

Assim como a Rússia, "a Arábia Saudita não quer tornar o mercado excessivamente apertado", disse Bob McNally, fundador da consultoria Rapidan Energy Group e ex-alto assessor da Casa Branca para o petróleo. E o reino também não quer sinalizar uma saída antes de terminar o trabalho, disse ele.

O excedente de estoques de petróleo nos países industrializados, que pressiona os preços há três anos, ainda não foi eliminado. O excesso de oferta em relação à média de cinco anos caiu em mais da metade de janeiro para cá, mas ainda é de 140 milhões de barris, disse o secretário-geral da Opep, Mohammad Barkindo, na segunda-feira.

No caso da Opep, uma estratégia de saída tão obscura quanto possível permite uma flexibilidade maior no ano que vem. Existe uma divergência significativa nas projeções de oferta e demanda para 2018, considerando que a Agência Internacional de Energia prevê uma demanda 1 milhão de barris por dia menor por petróleo da Opep do que a análise do cartel. A divergência se dá tanto na força do crescimento da demanda quanto na velocidade da expansão da produção de xisto dos EUA.

--Com a colaboração de Ed Ludlow Nayla Razzouk Grant Smith Angelina Rascouet Javier Blas e Elena Mazneva

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