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China reduz reciclagem e ajuda setor de plástico dos EUA

Jack Kaskey e Ann Koh

(Bloomberg) -- A China vai causar uma perturbação no mercado global de plástico.

O maior usuário de sucata deixou de aceitar carregamentos de lixo plástico de outros países e começou a implementar uma nova proibição por etapas. Essa é uma má notícia para o setor de reciclagem, pois a China é um dos principais consumidores de materiais recuperados, que processa e transforma em uma resina que acaba em canos, carpetes, garrafas e outros elementos da vida moderna.

A China começou a comprar plástico novo para substituir toda a sucata reciclada -- e essa é uma excelente notícia para os fabricantes americanos de produtos químicos como a DowDuPont, que estão procurando apressadamente mercados para milhões de toneladas de produção nova em plena chuva de investimentos no setor. Projeta-se que os EUA multiplicarão por cinco suas exportações de plástico comum até 2020.

"É um bom momento para incorporar alguns ativos novos", disse Mark Lashier, CEO da Chevron Phillips Chemical, em entrevista no mês passado na inauguração de duas plantas de polietileno em Old Ocean, Texas, EUA. "Tirando o plástico reciclado, essa demanda do mercado vai aumentar."

Reversão

A China está revertendo décadas de iniciativas que construíram uma enorme indústria de reciclagem de sucata -- a maneira mais barata de produzir produtos de plástico para sua economia em crescimento. O país representou 51 por cento das importações de sucata de plástico do mundo em 2016 e a maior contribuição foi dos EUA, de acordo com o Institute of Scrap Recycling Industries, uma associação internacional do setor.

Agora a China vai mudar de rumo. O país disse à Organização Mundial do Comércio, em julho, que deixará de aceitar importações de plástico e papel usado a partir de 1º de janeiro no contexto de medidas para limpar sua poluição industrial. A proibição da China poderia deslocar cerca de 2 por cento do fornecimento de plástico de polietileno do material reciclado para o novo, disse Vincent Andrews, analista do Morgan Stanley, em um relatório em 30 de novembro. O país já reduziu pela metade suas aquisições de sucata de polietileno de um pico de 2014, disse ele.

Oportunidade

Os EUA são o único país em condições de preencher rapidamente a lacuna, disse Jonas Oxgaard, analista da Sanford C. Bernstein & Co.

Isto ocorre porque os EUA se transformaram no país mais barato do mundo para fabricar plástico, graças a um boom do fraturamento hidráulico (fracking) que gerou um excesso de gás natural, a principal matéria-prima para a fabricação. Aproveitando os preços baixos do gás, os produtores de produtos químicos fizeram investimentos sem precedentes de US$ 185 bilhões para aumentar a capacidade nos EUA, de acordo com o American Chemistry Council, uma associação do setor.

Cerca de 30 por cento dos materiais recicláveis da América do Norte eram processados na China, segundo Andrews, do Morgan Stanley. A China está criando um vazio no mercado de plástico usado que terá um "impacto devastador" na reciclagem em todo o mundo, de acordo com a associação do setor de reciclagem.

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