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Opinião: Uber implora a jovens uso de cartão de crédito

Scott Duke Kominers

(Bloomberg) -- No início do mês, a Uber seguiu o exemplo de hotéis e empresas aéreas e apresentou seu próprio cartão de crédito. O cartão é emitido pelo Barclays e voltado à geração Y. Garante aos titulares 4 por cento de retorno em dinheiro para contas de restaurantes, 3 por cento em viagens, 2 por cento no uso de transporte privado e outras compras pela internet e 1 por cento em todo o resto. A empresa não cobra anualidade, nem taxas por transações internacionais, e oferece um bônus de assinatura de US$ 100.

É muito dinheiro devolvido!

Não sou especialista em promoções de cartões de crédito, mas uma coisa fica clara para qualquer pessoa capaz de fazer contas: as recompensas que a Uber oferece para pagamentos de contas de restaurantes e viagens são superiores ao valor que a empresa consegue ganhar com sua parcela nas taxas de transações com cartões de crédito (interchange fees), que são de no máximo 2,4 por cento (mais uma taxa fixa de US$ 0,10). A Uber já adotou antes iniciativas comerciais deficitárias, mas não distribui dinheiro sem motivos.

Talvez a recompensa venha com a fidelidade à bandeira: os titulares dos cartões podem ficar mais propensos a viajar com a Uber do que com concorrentes como a Lyft. Mas se a estratégia é essa, a execução é estranha -- alguém poderia perguntar por que os benefícios de reembolso do cartão são os mesmos para quem usa Uber ou qualquer outro serviço de carona compartilhada.

Portanto, é preciso analisar o valor de algo mais que a Uber pode obter com o cartão: informações.

O Barclays declara em sua política de privacidade que pode "compartilhar informações sobre você" extraídas do uso do cartão com "parceiros financeiros ou de varejo". Em particular, afirma, a informação pode ser usada por "parceiro[s] de finanças ou varejo para que façam marketing para você". Isso significa que a Uber tem o direito de usar os históricos de transações dos titulares dos cartões para filtrar produtos e preços.

Um representante da Uber me garantiu que a empresa não está fazendo nada desse tipo no momento, nem está recebendo dados individualizados do Barclays. Mas a empresa tem muitos incentivos para exercer o direito de fazê-lo no futuro.

Com informações individualizadas sobre transações a Uber poderia, por exemplo, usar os jantares que aparecerem no histórico do titular do cartão para recomendar restaurantes no UberEats. Algo ainda mais valioso poderia ser o acesso a informações sobre o uso de plataformas concorrentes de carona compartilhada e de outros meios de transporte pelo titular do cartão.

Atualmente, se você abre o aplicativo da Uber e verifica o preço de uma corrida, mas não a reserva, a Uber não tem ideia do que aconteceu. Talvez você tenha optado por uma concorrente, talvez tenha simplesmente decidido esperar os preços caírem ou talvez tenha pegado um ônibus. Em contrapartida, se estiver usando o cartão da Uber, a empresa poderá saber se você preferiu usar o serviço da Lyft -- e também quanto pagou.

Teoricamente, a empresa poderia, enfim, ter informações suficientes para identificar clientes que habitualmente pagam mais pelas corridas e simplesmente cobrar um valor extra deles sem informá-los do que está acontecendo. O tiro poderia sair pela culatra se as pessoas descobrissem -- mas a Uber já mostrou que está disposta a assumir riscos comerciais provocativos.

Algumas pessoas podem considerar a exposição de informações de transações uma invasão de privacidade -- mas é claro que ninguém as está forçando a aderir ao cartão. E sabemos que muitos consumidores estão bastante dispostos a trocar informações por conveniência e por um pouco de dinheiro; podem não perceber o caminho da Uber e, se perceberem, talvez não se importem.

A geração Y é conhecida por "compartilhar e comparar" finanças e por abrir mão da privacidade em troca de pizza. O resto de nós provavelmente não tem muito tempo para decidir se quer fazer isso também.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e seus proprietários.

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